

Chrysaora lactea: Cifozoário comum ao longo de toda a costa brasileira, provocou cerca de 20 mil acidentes na costa do Paraná, no verão de 2011-2012. A maioria consistiu em lesões de formatos variados (ovóides, irregulares e alongados) que desapareceram após algumas horas. Porém, cerca de 600 pacientes procuraram serviços de emergência, apresentando reações alérgicas e efeitos sistêmicos.
Lychnorhiza lucerna: Essa espécie de cifozoário é uma das maiores e mais abundantes da costa brasileira, porém é inofensiva para humanos. Essa água-viva não possui tentáculos na sua margem e possui estruturas de formato cônico inseridas no centro de sua umbrela, chamadas de braços orais. Quando ocorre em grandes densidades, atrapalha atividades pesqueiras ao entupir redes de pesca. Devido a sua abundância e ao seu tamanho relativamente grande, destaca-se pela importância ecológica, ao servir de alimento para parasitas, algumas espécies de peixes e outros vertebrados marinhos, assim como abrigar organismos menores que utilizam suas estruturas corporais como refúgio.
Tamoya haplonema e Chiropsalmus quadrumanus: São cubozoários encontrados ao longo de toda a costa brasileira que, junto com as caravelas, provocam os acidentes com efeitos mais graves. Essas espécies já causaram surtos de acidentes no litoral de São Paulo, porém são organismos mais raros em nossas praias.
Physalia physalis: A “caravela portuguesa” difere das águas-vivas por ser uma colônia, com diversos indivíduos interligados. Possuem uma coloração roxo-azulada na região do flutuador, que é semelhante a uma bexiga. Seus tentáculos podem alcançar até 32 metros de comprimento e ter uma concentração de até 80 mil nematocistos por metro. Essa espécie ocorre no sul do Brasil, principalmente no verão, quando predominam os ventos de NE, que transportam o animal de regiões de mar-aberto para a costa. Isso coincide com o aumento do número de banhistas e pode aumentar o risco de acidentes, que podem causar sérias lesões cutâneas e gerar complicações sistêmicas, como parada respiratória, desmaios e convulsões, resultando em mortes ou aumentando o perigo de afogamentos.
No Brasil, uma vez que os programas de monitoramento de águas-vivas são escassos e ainda recentes, torna-se difícil concluir se essas populações estão aumentando, assim como os respectivos acidentes. Pesquisadores têm investigado detalhes da biologia reprodutiva dessas espécies e de sua dinâmica populacional, para compreender quais fatores influenciam essas proliferações e, com isso, traçar projeções e estratégias para se minimizar os prejuízos gerados por esses organismos.
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