

Tubarões são animais que geram medo e fascínio nos humanos; o medo talvez seja mais forte devido à fatídica imagem que se tem: o grande predador dos mares, o famoso e consagrado tubarão-branco (Carcharodon carcharias). Contudo, embora para muitos seja difícil imaginar, os tubarões também são afetados pela pesca e pela poluição dos oceanos, e um dos que mais sofre é o tubarão-baleia (Rhincodon typus). Também chamado de gigante gentil, o tubarão-baleia é uma espécie que quebra completamente todos os estereótipos com sua aparência simpática. Porém, essa docilidade é recebida de forma hostil pelos humanos, que vêm dificultando a vida desses gentis peixes gigantes. No entanto, antes de entender melhor essa problemática, vamos conhecer de maneira mais aprofundada este incrível animal.
São organismos migratórios que distribuem-se pelos mares tropicais e temperados quentes. No Brasil, podem ocorrer em todo o litoral, embora longe da zona costeira. Normalmente são animais solitários, contudo, quando existem grandes ofertas de alimento podem se concentrar em cardumes, que podem chegar a 100 indivíduos que se alimentam essencialmente por filtração. O R. typus é uma das três espécies de tubarões filtradores do mundo mas, diferente das outras duas, o tubarão-peregrino (Cetorhinus maximus) e o tubarão-boca-grande (Megachasma pelagios), a filtração do tubarão-baleia funciona literalmente com ele dando goles na superfície da água para filtrar o plâncton, não necessitando nadar de boca aberta para se alimentar, como os outros dois.
Além disso, vale acrescentar que, diferente dos outros tubarões, que possuem grandes fígados em relação ao tamanho do corpo para auxiliar na flutuabilidade com a produção do óleo, o tubarão-baleia compensa essa diferença engolindo ar e o armazena dentro de seu estômago, dando o conforto da flutuabilidade neutra.
Esses são os maiores causadores de mortes não só do tubarão-baleia, mas também de grandes baleias, tartarugas-marinhas, golfinhos, outros tubarões e diversas espécies de peixes. Os ecossistemas também são afetados, tendo seu equilíbrio intensamente perturbado. Além disso, é importante acrescentar que os restos de artigos de pesca, como redes, linhas, espinhéis e afins, que são descartados indevidamente nos oceanos acabam gerando acidentes com animais que vão, na maioria das vezes, a óbito.
Ações humanas diretas – O tubarão-baleia, embora seja, na maioria do países, “só mais um animal imenso”, em outros, principalmente no continente Asiático, tem sua carne muito apreciada. Segundo estudos de Martins e Chagas (2018) em Taiwan, cerca de 100 tubarões-baleia são capturados anualmente e há uma demanda crescente por sua carne, sobretudo por suas barbatanas, que têm altíssimo valor comercial no mercado, especialmente em Hong Kong.
Outra ameaça a estas criaturas é o atropelamento por embarcações quando os animais estão se alimentando na superfície, o que geralmente acaba em fatalidades.
A população, de maneira geral, deve evitar jogar lixo na rua, no chão, na praia e nos rios. Campanhas que promovam a limpeza de praias podem trazer resultados grandiosos para toda biota aquática dos ambientes que estão sendo cuidados. O tubarão-baleia é uma espécie que compõe a biodiversidade do planeta e é de suma importância dentro das comunidades e dos ecossistemas aos quais pertencem. Ela deve se manter no mar, coexistindo pacificamente com outros seres vivos, logo, é dever de todos proteger não apenas o tubarão-baleia, mas todo o ecossistema marinho.
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