

Existem grandes descobertas científicas realizadas por mulheres na ciência, mas nem sempre são elas que se destacam. Uma das áreas em que estão bastante presentes é a Biologia Marinha. As mulheres também amam os oceanos e cuidam deles. Quantas cientistas mulheres você conhece por suas grandes descobertas? Poucas? Nenhuma? Sempre existiram mulheres cientistas que fizeram grandes descobertas para a ciência, mas devido à desigualdade de gênero, poucas foram reconhecidas pelo mundo. Em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, 8 de março, uma data que representa a luta pela igualdade dos gêneros, selecionamos nesta primeira parte, três grandes biólogas marinhas para que você se inspire nestas incríveis profissionais.
Sua carreira como bióloga marinha começou no United States Fish and Wildlife Service como escritora. Reconhecida por várias revistas, ela se tornou escritora em tempo integral em 1950. No ano seguinte, escreveu o livro The Sea Around Us, que se tornou um best-seller e ganhou o National Book Award. Seus dois próximos livros, The Edge of the Sea e Under the Sea Wind foram sucesso de vendas também. Essa trilogia explora a vida marinha, desde a zona litorânea até as profundezas. O seu livro mais conhecido é o Silent Spring, ou Primavera Silenciosa, de 1962, em que Rachel descreve os efeitos nocivos de pesticidas, especialmente o DDT, no meio ambiente.
Rachel faleceu no dia 14 de abril de 1964 devido a um infarto, provavelmente causado pela sua situação frágil, uma vez que tratava de um câncer de mama em metástase desde 1960.
De 1964 a 1969, Marta esteve na direção do IOUSP, dedicando-se à construção do prédio do Instituto, na organização dos cursos de pós-graduação e negociando o Navio Oceanográfico “Prof. Wladimir Besnard”, que realizou diversas expedições com pesquisadores e alunos, colaborando com coletas e pesquisas do Instituto até o ano de 2008. Marta assumiu, em 1970, o cargo de perito em oceanografia pela UNESCO em Cochin, no estado de Kerala, sul da Índia, e a partir de 1974 interrompeu suas atividades no IOUSP. Pela UNESCO, contribuiu com expedições marinhas, conferências internacionais, organização de laboratório de triagem de plâncton (México) e com centenas de trabalhos científicos. Publicou diversos livros, sendo um dos mais famosos “Os manguezais e nós”, de 1999, que retrata a importância desse ecossistema para a subsistência das zonas costeiras e produção de nutrientes para fauna e flora. Aposentou-se pela UNESCO em 1989 e atualmente vive em São Paulo.
Após o mestrado, casou-se e começou uma família, mas não deixou de explorar a vida marinha. Em 1964, quando seus filhos tinham dois e quatro anos, Sylvia fez parte da expedição da National Science Foundation no Oceano Índico, durante seis semanas. Em 1966, completou seu Ph.D. em ficologia (estudo das algas), também na Duke University. Com sua crescente carreira, ela se tornou pesquisadora na Universidade Harvard e diretora residente do Cape Haze Marine Laboratories, na Flórida. Em 1968, grávida de quatro meses, viajou a trinta metros abaixo das águas das Bahamas no submersível Deep Diver. Em 1969, inscreveu-se para participar do projeto Tektite, onde os cientistas viveram por semanas em um laboratório no fundo do oceano, a 15 metros de profundidade.
Apesar de sua grande experiência com mergulho, possuindo mais de mil horas de pesquisa debaixo da água, Sylvia não pode participar do Tektite I, pois algumas pessoas não aceitaram uma mulher viajando com homens em uma longa expedição científica. Mas em 1970, Sylvia liderou o Tektite II, uma expedição exclusivamente feminina, abrindo precedentes para que futuras expedições aquáticas incluíssem mulheres em suas equipes. Earle liderou mais de 100 expedições submarinas durante sua carreira, acumulando mais de 7 mil horas subaquáticas. Suas missões científicas a levaram a lugares como as Ilhas Galápagos, a China e as Bahamas.
Bióloga marinha, escritora, empreendedora, atualmente Sylvia Earle é exploradora da National Geographic Society, fundadora da Sylvia Earle Alliance (SEA) / Mission Blue, fundadora da Deep Ocean Exploration and Research Inc. (DOER), presidente do conselho consultivo do Harte Research Institute e foi cientista-chefe da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).
Ainda existem muitos nomes que poderíamos citar, tanto por suas histórias de luta quanto por seus grandes feitos na ciência. As mulheres sempre estiveram presentes nas Ciências do Mar trazendo descobertas, novas conquistas e defendendo a vida marinha. E se você ainda quer conhecer novas histórias, a UNESCO lançou o projeto “Mulheres cientistas marinhas compartilham suas histórias” (“Women marine scientists share their stories”), no qual promove a igualdade de gênero por meio de histórias de cientistas marinhas, no intuito de encorajar jovens mulheres a seguir a carreira das ciências do mar.
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