

Oceano vem do grego Okeanós, que na mitologia grega era um titã que personificava o envolvimento de um rio universal que se estende por todo o planeta, com poder de fonte e origem de toda a vida. Hoje, sabemos que cerca de 70% da superfície terrestre é coberta por água, o que corresponde a mais de 97% de toda a água da Terra! A classificação de oceanos, mares, golfos, baías, entre outros, está diretamente relacionada com a proximidade destes aos continentes, a profundidade, a extensão, entre outras características físico-químicas. Além de “gigante pela própria natureza”, os oceanos são o berço da vida na Terra e os principais responsáveis pela sua manutenção. A partir de uma colaboração científica mundial, provou-se que o ecossistema marinho abarca a maior diversidade de espécies do planeta (cerca de 220 mil). Mais surpreendente ainda é que o número de espécies desconhecidas pode ser 10 vezes maior! Exemplos exuberantes de vida marinha são os microscópicos fitoplâncton, os coloridos corais, os temidos tubarões e as gigantes baleias. Porém, toda essa vida está ameaçada diante das atividades predatórias e inconsequentes de uma única espécie, o ser humano.
Estima-se, também, que 20% das 90 espécies de tubarões que ocorrem no litoral brasileiro estejam ameaçadas de extinção. Se os dados forem similares ao redor do mundo, isso pode gerar uma crise ecológica e comercial em escala global, pois os tubarões compõem o topo da cadeia alimentar, mantendo o equilíbrio de diversas populações marinhas, inclusive as utilizadas na pesca.
Invertebrados marinhos também são comumente vistos como ameaças à saúde humana.
O risco aos humanos pode ser evitado ou diminuído utilizando calçado apropriado nos costões rochosos para evitar corte por corais, equinodermos e moluscos. Grande parte dos organismos sésseis ou sedentários (aqueles que ficam fixos ou se movem pouco nas rochas e na areia) possui uma estrutura corporal dura, para impedir a perda de água, e capacidade de produzir toxinas que funcionam como defesa contra predadores e também competidores. Portanto, a melhor forma de prevenir qualquer acidente no ambiente marinho é ter atenção e não manusear os organismos.
Há uma impressão de que os organismos marinhos são muito grandes. Entretanto, a maioria das espécies marinhas possui tamanhos relativos aos dos seus parentes próximos terrestres. A grande exceção é com relação aos mamíferos marinhos. Historicamente, acreditava-se que viver na água facilitaria o crescimento devido à menor pressão da gravidade, por exemplo. Porém, um estudo recente comparou a massa de milhares de espécies de mamíferos vivos e fósseis e indicou que a massa ideal para um indivíduo é de aproximadamente 500 kg. Ou seja, é bom ser grande no mar, mas não tão grande. O estudo aponta que este tamanho e massa são necessários para minimizar a perda de calor e necessidade de buscar alimento. Por outro lado, organismos microscópicos também são abundantes e extremamente importantes para a saúde do planeta. Dentro deste grupo de organismos se encontra o fitoplâncton, pequenas algas que são os principais produtores de oxigênio do mundo. A cada duas respirações dadas por um indivíduo, uma delas é graças ao fitoplâncton!
Dois tipos de poluição estão em voga: as mudanças climáticas referentes à emissão excessiva de gases do efeito estufa e os plásticos nos oceanos. Os dois tipos de poluição são extremamente agressivos ao planeta e devem ser tratados com a mesma sensibilidade e responsabilidade. A produção e o despejo de gases e plásticos precisam ser drasticamente minimizados. Enquanto a emissão dos gases aumenta a temperatura e acidez no mar, causando a morte de diversas espécies, já se sabe que daqui a 20 anos haverá mais plástico do que peixes nos oceanos. Os gases e grande parte do lixo que chegam ao mar produzem toxinas que entram na cadeia alimentar e atingem o ser humano. Assim, o não tratamento do esgoto, o despejo inapropriado, o excesso de material produzido sempre cai no mar e retorna, como doença, para o ser humano.
Diante das informações acima, três conclusões podem ser tomadas: 1) o oceano ainda é o maior enigma da Terra, 2) a natureza e as espécies se adaptam às mudanças no planeta, 3) se não mudarmos os nossos hábitos hoje, a nossa espécie não persistirá por muito tempo. Por mais melancólica que a mensagem possa parecer, ainda há tempo de modificar nossa atitude e usufruir deste mundo de possibilidades, de aventuras e de conhecimento que são os oceanos.
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