

Os estudos iniciaram na Lagoa do Peri, Sul da Ilha de Santa Catarina, e foi certamente o primeiro trabalho com a espécie dentro de uma bacia hidrográfica com as peculiaridades e desafios deste local. No Brasil, é um dos primeiros trabalhos publicados abordando a autoecologia da lontra, e norteando hoje, o uso da espécie como um símbolo do cuidado com as águas. O Projeto Lontra trabalha de forma permanente desde 1986, e estimula outras iniciativas em outras regiões para estudos com as lontras. Atualmente, elas abrangem a recuperação, conservação e ampliação do conhecimento técnico de lontras e outros integrantes da família Mustelidae.
O dia-a-dia no Projeto é marcado pelo trabalho intenso, que envolve a alimentação da lontra, limpeza dos recintos e enriquecimento ambiental. As lontras silvestres também são estudadas por meio de saídas à campo e expedições em lagoas, rios e trilhas dentro da mata.
A nova edição do Projeto Lontra, objetiva manter as ações iniciadas, com foco na recuperação e conservação da lontra neotropical e da ariranha. A novidade aqui é a inclusão da área da APA da Baleia Franca (APABF), onde o IEB já participa ativamente como membro do Conselho Consultivo da iniciativa.
A novidade é uma importante conquista para entender melhor o comportamento da espécie, estudar o ciclo reprodutivo em um ambiente controlado e desenvolver uma metodologia que possa servir para re-introdução em ambientes onde as lontras foram extintas, além de melhorar a qualidade de vida de outras lontras em cativeiro e estimular a reprodução delas em zoológicos.
É um mamífero semiaquático, medindo entre 0.89 a 1.30 de comprimento total com peso aproximado de 5 a 15 kg. Predador carnívoro por excelência, topo de cadeia trófica. Desempenha o mesmo papel ecológico da onça, mas na água. Tímida, mais ativa durante a noite, é um animal difícil de ser avistado no ambiente selvagem, sendo que poucos se dedicam ao estudo dela em função das dificuldades.Solitária e com hábito principalmente noturno, tem a sobrevivência diretamente ligada à preservação e conservação da qualidade das águas e da preservação de corredores ecológicos, permitindo o deslocamento da espécie de um ambiente para o outro.
Além do Brasil, ela pode ser encontrada em outros 15 países. Habita canais, banhados, costões rochosos de praias, lagoas, rios, estuários e ilhas costeiras. Utiliza espaços como tocas para descansar, proteger-se das intempéries e dar a luz aos filhotes. A lontra fica adulta entre 2 e 3 anos e sua gestação dura em torno de 60 a 65 dias. Nascem de 1 a 4 filhotes. A fêmea não permite a aproximação do macho, tomando para si a responsabilidade da cria. A lontra alimenta-se principalmente de peixes e crustáceos, ocasionalmente de aves, e pequenos mamíferos e répteis.
A lontra é excelente nadadora, fazendo uso da cauda para auxiliar na propulsão e dar equilíbrio. As patas apresentam membranas interdigitais que auxiliam na natação. O animal sai constantemente da água deixando pegadas visíveis em praias arenosas. Apresenta orelhas pequenas de forma a diminuir a perda de calor na água, ouve e vê muito bem, e seus olhos são adaptados para a visão embaixo da água e fora dela.
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