

Em março de 2019, uma mancha avermelhada surgiu no mar, na região de São Sebastião, litoral norte de São Paulo, Brasil, próximo ao Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (CEBIMar/USP). Ao analisar amostras de água da superfície, os pesquisadores verificaram grandes concentrações de algas planctônicas, sendo estas potencialmente tóxicas. O que estava ocorrendo nesta região era um fenômeno denominado maré vermelha.
Mas o que é exatamente este fenômeno?
A maré vermelha é o nome comum dado a um fenômeno natural conhecido como Florações de Algas Nocivas (FANs), internacionalmente designadas como Harmful Algal Blooms (HABs). Estas florações ocorrem quando algumas espécies do fitoplâncton crescem descontroladamente, podendo resultar, muitas vezes, na coloração visível da água. Devido aos pigmentos das algas, a água pode ficar vermelha, verde ou marrom.
Desta forma, este fenômeno pode trazer como consequência a mortalidade de diversas espécies marinhas e costeiras. Além disso, causa graves efeitos nas atividades pesqueiras, de saúde pública (tanto pelo contato com a água contaminada, quanto pelo consumo de mariscos, que são organismos filtradores e podem conter altas concentrações da toxina), de recreação e turismo.
Nas amostras analisadas provenientes do fenômeno que ocorreu em São Sebastião foram encontrados, principalmente, os dinoflagelados dos gêneros Alexandrium, Dinophysis e Margalefidinium. Este último gênero atingiu densidades suficientes, no segundo dia do evento, para gerar uma potencial toxicidade para os organismos marinhos, como representantes do plâncton e peixes. De acordo com os pesquisadores, as análises sugerem que o aporte de nutrientes de águas provenientes de rios tenha sido a causa da proliferação da espécie no canal de São Sebastião.
Para evitar essas florações, são necessários esforços conjuntos da comunidade e das instituições públicas responsáveis pela qualidade ambiental, para minimizar o excesso de nutrientes lançados nestas áreas. Além disso, é importante que haja maior monitoramento das regiões costeiras para detecção destas florações, a fim de alertar a população dos possíveis riscos do consumo de peixes e frutos do mar provenientes destes locais na presença do evento, além de banho e atividades aquáticas.
DE CASTRO, Nathália Oliveira; DE OLIVEIRA MOSER, Gleyci A. Florações de algas nocivas e seus efeitos ambientais. Oecologia Australis, v. 16, n. 2, p. 235-264, 2012.
LALLI, Carol; PARSONS, Timothy R. Biological Oceanography: an Introduction. Elsevier, 1997.
Marés Vermelhas no canal de São Sebastião. CEBIMar, 2019. Disponível em: <http://noticias.cebimar.usp.br/divulgacao-cientifica/artigos-de-colaboradores-do-cebimar/1756-mares-vermelhas-no-canal-de-sao-sebastiao>. Acesso em: 20 mai. 2019.