

Acompanhamos a chegada das araras-canindé e araras-vermelhas em Campo Grande, a Capital de Mato Grosso do Sul, desde 1999. Na época, houve um período acentuado de estiagem, que somados aos desmatamentos e queimadas, na zona rural e municípios do entorno, provocaram grande escassez de alimentos. Elas vieram de Terenos em grupos de 48 e 27 indivíduos. Uma parte do grupo se estabeleceu em Campo Grande e outra parte, continuou migrando para Ribas do Rio Pardo, Águas Claras, Três Lagoas, chegando até a divisa de Mato Grosso do Sul, com São Paulo e Paraná. Aves generalistas são frequentes em ambientes urbanos e a arara-canindé (Ara ararauna) é uma espécie comum na cidade de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul (MS).
Embora seja comum e com ampla distribuição, é pouco estudada em vida livre e estudos detalhados sobre sucesso reprodutivo são importantes para monitorar a população a longo prazo. Desta forma, o objetivo principal deste projeto é monitorar o sucesso reprodutivo da arara-canindé área urbana de Campo Grande, Mato Grosso do Sul e analisar os resultados, ao longo dos anos, com o desenvolvimento da cidade. Os ninhos cadastrados são acompanhados semanalmente por registro fotográfico desde a postura dos ovos até o voo dos juvenis. Os ninhos são correlacionados com a localização e distância de áreas verdes. É avaliado o nível de perturbação veicular (NPV) nos ninhos.
O período reprodutivo da arara-canindé em Campo Grande ocorre de agosto a dezembro, podendo se prorrogar até janeiro ou fevereiro do ano seguinte. Em média 92,3% dos ninhos com pares reprodutivos tem sucesso com a postura dos ovos, dos quais 83,3% tem sucesso com o nascimento dos ninhêgos e 81,6% tem sucesso no voo dos juvenis. Os ninhos são construídos em palmeiras nativas e exóticas e estão localizados dentro dos quintais das residências ou imóveis comerciais, calçadas e passeios públicos em avenidas e parques. A maioria dos ninhos cadastrados (54%) ficam dentro ou próximo de uma área verde.
As araras-canindé estão se reproduzindo com sucesso na área urbana de Campo Grande. Estudos complementares poderão determinar os fatores que influenciam a reprodução dessa espécie na cidade. As araras hibridas (resultado do cruzamento de arara Canindé (Ara ararauna) com arara vermelha (Ara chloropterus)) também estão sendo monitoradas. Pretende-se utilizar estas espécies, que são tão emblemáticas para envolver a comunidade nas questões ambientais, principalmente para a importância da conservação da biodiversidade.
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