

Pessoas precisam de ecossistemas intactos para sobreviver, pois eles são necessários para a agricultura, para a chuva, para a polinização e para promover qualidade do solo. O bioma fornece água, regula o clima, produz alimentos, madeira e fibras, abriga plantas com princípios ativos para a área da medicina, protege a fertilidade do solo e proporciona belas paisagens.
A Mata Atlântica concentra o maior número de espécies endêmicas dos biomas brasileiros. Existem 231 espécies de aves endêmicas na Mata Atlântica.
Dezenas delas ocorrem em áreas muito restritas. Isso as torna especialmente vulneráveis, pois um evento estocástico, como um incêndio, uma doença, uma inundação ou tempestade, ou a invasão de uma espécie exótica, pode subitamente acabar com uma espécie.
UM EXEMPLO É O CHOQUINHA-DE-ALAGOAS (MYRMOTHERULA SNOWI). HÁ 35 INDIVÍDUOS CONHECIDOS DESSA ESPÉCIE EM TODO O MUNDO, TODOS RESTRITOS A UMA PEQUENA RESERVA.
Em cima disso se agregam outras ameaças, como tráfico e caça de animais. Consequentemente, existem 120 espécies e subespécies de aves da Mata Atlântica ameaçadas de extinção.
E ESSE NÚMERO NÃO PARA DE CRESCER – 41% das espécies de aves ameaçadas de extinção do Brasil são nativas da Mata Atlântica.
O comércio ilegal ocasiona desequilíbrios ecológicos e sofrimento aos animais. Cada espécie tem uma função ecológica e quando são retiradas do seu ambiente natural, nenhuma outra é capaz de desempenhar seu papel.
No Brasil, as aves são os animais mais capturados e vendidos no mercado ilegal, segundo dados da organização não governamental WWF. As espécies mais visadas são os psitacídeos (araras, papagaios e periquitos), passeriformes (passarinhos), dendrobatídeos (rãs venenosas e coloridas), primatas e lepidópteros (borboletas). Além disso, de cada 10 animais traficados, 9 morrem antes de chegar ao seu destino final.
De todas as espécies de aves mais traficadas no Brasil, as aves nativas da Mata Atlântica constituem a maioria. (Fonte: Bernardo Ortiz-von Halle, ‘Bird’s-eye view: Lessons from 50 years of bird trade regulation & conservation in Amazon countries;). Além da destruição de seus habitats nativos por meio do vasto e rápido desmatamento, muitas espécies de passeriformes e psitacídeos sofrem de uma imensa pressão do tráfico ilegal de animais silvestres.
POR EXEMPLO, O PROJETO PAPAGAIO-VERDADEIRO (AMAZONA AESTIVA) DESCOBRIU QUE, EM 2016 E 2017, 85% DE TODOS OS NINHOS DA ESPÉCIE NAS REGIÕES DE MATA ATLÂNTICA PESQUISADAS FORAM ARROMBADOS POR TRAFICANTES. E ESSA ESPÉCIE NÃO ESTÁ SOZINHA.
Muitas espécies de passeriformes estão sofrendo o mesmo destino, algumas valorizadas por sua aparência, outras por sua capacidade de cantar.
90% das aves resgatadas do tráfico ilegal no Brasil são passeriformes.
Entre as espécies traficadas, as mais procuradas são curiós, canários-amarelos e aves dos gênero Saltator e Sporophila, valorizadas pela sua capacidade de cantar. Muitas dessas espécies são vulneráveis, ameaçadas ou até criticamente ameaçadas.
O BICUDO-VERDADEIRO (SPOROPHILA MAXIMILIANI) ESTÁ CRITICAMENTE AMEAÇADO (CR) NO BRASIL DEVIDO AO TRÁFICO ILEGAL DE ANIMAIS SILVESTRES E À DESTRUIÇÃO DE SEU HABITAT, SENDO CONSIDERADO EM PERIGO (EN) EM SUA FAIXA GLOBAL, COM CERCA DE 250 INDIVÍDUOS REMANESCENTES NO BRASIL.
Muitas espécies de aves são caçadas por esporte e ou para servir de alimento, o que é ilegal no Brasil. Tinamídeos, como perdizes e macucos, são alvos específicos, uma fonte alternativa de alimento comum. Na grande maioria dos casos, isso não é caça de subsistência.
Juntamente com as primeiras incursões ilegais na floresta para extração de madeira, tinamídeos, cracídeos e grandes frugívoros foram os primeiros grupos a diminuir em riqueza.
MUITAS ESPÉCIES DE AVES SÃO CAÇADAS POR ESPORTE E OU PARA SERVIR DE ALIMENTO, O QUE É ILEGAL NO BRASIL.
O papagaio-charão (Amazona pretrei) depende da araucária (Araucaria angustifolia), uma espécie amplamente encontrada nos estados do sul do Brasil, mas agora considerada criticamente ameaçada de extinção. A espécie migra quase 100 km após o surgimento das sementes de araucária, chamadas de pinhão.
O PAPAGAIO-CHARÃO (AMAZONA PRETREI) DEPENDE DA ARAUCÁRIA (ARAUCARIA ANGUSTIFOLIA).
ESPÉCIES SE TORNAM REGIONALMENTE EXTINTAS DE MANEIRA SILENCIOSA E RÁPIDA.
Passeriformes insetívoros do sub-bosque, que muitas vezes só vivem em áreas bastante pequenas, podem correr grave risco de extinção. Este grupo de passeriformes são o grupo mais ameaçado das aves da Mata Atlântica.
A extensão real da destruição da Mata Atlântica funcional é muito pior do que parece em um mapa.
Exemplos de espécies em grande perigo de extinção:
Formigueiro-de-cabeça-negra (Formicivora erythronotos) UICN EN – Restrito a uma pequena área com um máximo estimado de 250 indivíduos adultos globalmente, 90-100% deles em um único local. Nenhuma população ex situ.
Entufado-baiano (Merulaxis stresemanni) UICN CR
Choquinha-de-alagoas (Myrmotherula snowi) UICN CR – Restam 35 indivíduos globalmente.
120 espécies e subespécies de aves da Mata Atlântica reconhecidas como ameaçadas no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção.
77 espécies ameaçadas de aves da Mata Atlântica listadas pela UICN.
90% delas não têm nenhuma ação de conservação específica para a espécie além da ocorrência em áreas protegidas. A maioria é endêmica da Mata Atlântica.
4,4% de todas as espécies de aves ameaçadas do mundo (UICN 3.1) são endêmicas da Mata Atlântica. Elas agora estão restritas principalmente a fragmentos que totalizam uma área de apenas 157 mil km², dentro de um bioma cuja faixa original está atualmente 91,5% desmatada.
5,5% de todas as espécies de aves ameaçadas do mundo (UICN 3.1) são nativas da Mata Atlântica.
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