

Observações realizadas por baleeiros japoneses em cruzeiros de avistagens indicaram padrões de distribuição sazonal de outubro a abril correspondentes a áreas situadas entre a Convergência Subtropical e a Convergência Antártica, “limites” fluidos que definem fronteiras entre zonas de características oceanográficas e ecológicas bastante distintas. Há, ainda, registros históricos de concentração sazonal de verão de baleias francas nos Bancos do Brasil, elevações do fundo marinho que se situam ao largo da costa do Sul do Brasil e onde os baleeiros norte-americanos buscavam a espécie até o século XIX. O comportamento de nadar com a boca aberta na superfície é raramente observado nas áreas costeiras de reprodução, inclusive em Santa Catarina, mas parece não estar associado à alimentação, já que ocorre na ausência das concentrações das espécies-presa; especula-se que tal comportamento nas zonas mais quentes possa estar associado à necessidade de termo-regulação, na qual o animal busca reduzir sua temperatura corporal pela exposição do tecido ricamente irrigado do céu da boca.
Estima-se que a gestação da espécie esteja em torno dos 12 meses, que corresponderia à sazonalidade de sua migração de retorno às áreas de reprodução, onde permanecem no inverno e primavera. A reprodução é poliândrica, ou seja, o acasalamento ocorre com diversos machos cortejando uma única fêmea, que tenta evitar a cópula posicionando-se na superfície com o ventre para cima, sendo que em águas brasileiras grupos de acasalamento são comumente avistados ao longo da costa do Rio Grande do Sul. Nos machos, os testículos (internos como em todos os cetáceos) podem ser muito pequenos em indivíduos juvenis (1 a 2 Kg), mas em adultos chegam a pesar cerca de 1.000 Kg – os maiores registrados no reino animal, provável conseqüência evolutiva de um regime de procriação em que o macho a deixar descendentes será o que conseguir, literalmente, lavar o esperma de outros machos competidores para fora do aparelho reprodutivo da fêmea, deixando apenas o seu depositado. A maturidade sexual é alcançada aproximadamente aos 6-7 anos e estima-se que a fêmea tenha o seu primeiro filhote aos 8-9 anos. Os filhotes nascem normalmente entre junho e dezembro, já com cerca de 5 metros de comprimento e um peso entre 4 e 5 toneladas; nas primeiras semanas de vida o filhote pode adquirir cerca de 50 Kg/dia de peso, graças ao leite rico em gordura proporcionado pela mãe. Pesquisas recentes realizadas na África do Sul indicam que a taxa de crescimento médio dos filhotes do ano está estimada em 2,8 centímetros/dia (+ 0,7 cm) e já na metade de outubro do ano de nascimento os filhotes podem atingir a metade do tamanho de suas mães. Em média, as fêmeas conhecidas nas áreas de reprodução têm um filhote a cada 3 anos.
As fêmeas e seus filhotes permanecem em zonas costeiras de pouca profundidade até o final da temporada reprodutiva; na Península Valdés, Argentina, as fêmeas acompanhadas de filhotes mantém-se preferencialmente ao longo da isóbata de 5 metros. No Brasil, estudos recentes realizados por pesquisadores do Projeto Baleia Franca indicaram uma maior abundância de baleias em profundidades de até 10 metros (Renault-Braga, 2014) e por enseadas dissipativas (Seyboth, 2013). Alguns filhotes passam todo o ano seguinte ao nascimento na companhia da mãe, separando-se desta somente no retorno à área de reprodução. Nas primeiras semanas de vida, o filhote passa cerca de 90% do tempo no entorno imediato da mãe, e apenas no final da temporada de inverno de seu nascimento passam a distanciar-se mais desta, explorando de forma mais independente o ambiente das proximidades; os filhotes de um ano, que retornam com a mãe para as áreas de reprodução, desligam-se dela nesta fase, com a mãe aparentemente tomando a iniciativa de afastar-se do filhote que então já é funcionalmente independente.
Na Península Valdés, fêmeas conhecidas por foto-identificação retornam regularmente às mesmas áreas, um fenômeno recorrente em diversas áreas de reprodução da espécie, e também na costa brasileira, fato comprovado recentemente pelas pesquisas realizadas pelo Projeto.
As baleias francas produzem sons registrados na faixa entre os 50 e 5000 Hertz e seu repertório acústico é composto por oito padrões sonoros básicos, com diferentes funções no contexto etológico da espécie, incluindo a comunicação inter-indivíduos; embora ainda indecifrados no seu significado particular, sabe-se que diferentes sons servem a distintos eventos de interação entre os animais e entre estes e seu ambiente. Usam sons na faixa dos 100 a 200Hz para comunicação de longa distância ou, no caso de pares de mãe e filhote, manter contato mesmo a distâncias menores. Tais sons podem atingir intensidades de 170-187dB(re 1mPa). Outros sons complexos, de finalidade ainda indefinida, são produzidos entre 50 e 1000Hz, e a sua emissão é mais intensa quando os animais estão mais ativos. No tocante à capacidade auditiva, é de se notar que as informações referentes a misticetos como a baleia franca ainda são fragmentárias e preliminares. Sabe-se, entretanto, que tais baleias são bastante sensíveis a sons inferiores a 1kHz, mas podem ouvir freqüências muito mais altas. É provável que possam não apenas reconhecer-se entre si pelos sons que emitem, mas ainda que possam reconhecer locais específicos do mar e da costa pelas qualidades específicas da acústica física desses locais.
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