

Assim que terminou a graduação, foi bolsista do CNPq (Aperfeiçoamento Científico 87-89), trabalhando na EMBRAPA Gado de Corte, em Campo Grande, sob a coordenação da Dra. Cacilda Borges do Valle, onde se iniciou na pesquisa científica. Em maio de 1989 começou a trabalhar no Departamento de Educação Ambiental Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul onde ajudou a proferir vários cursos para professores de I e II Graus e orientou crianças e alunos em seus primeiros contactos com a natureza, guiando-os nas trilhas da Reserva Ecológica do Parque dos Poderes.
Em novembro de 1989, Neiva Guedes viu um bando de araras azuis Anodorhynchus hyacinthinus no Pantanal durante a prática de campo do curso de Conservação da Natureza, para técnicos do IBAMA, EMBRAPA e SEMA-MS. Neiva achou a cena linda (cerca de 30 araras-azuis pousadas num galho seco) e quando soube que a ave estava ameaçada de extinção e que estava desaparecendo rapidamente, decidiu fazer algo para que isso não acontecesse e pensou que outras pessoas deveriam conhecer as araras azuis em seu hábitat natural. O fato se transformou em um marco em sua vida: a luta pela conservação da arara azul, dando início ao Projeto Arara Azul. Desde então ela dedica sua vida para a conservação desta ave no Pantanal brasileiro.
Em 1991 ingressou no curso de Mestrado em Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP, sendo agraciada com uma bolsa da CAPES. Sob a orientação do Prof Dr. Álvaro F. Almeida, desenvolveu o trabalho “Biologia Reprodutiva da Arara-azul Anodorhynchus hyacinthinus no Pantanal – MS”. No campo, contou com a colaboração do biólogo norte-americano, Dr. Lee Harper. A pesquisa foi realizada no Pantanal da Nhecolândia, utilizando a estrutura da Fazenda Nhumirim, CPAP/Embrapa e contou com recursos do WWF e veículo da Toyota do Brasil (para conseguir o veículo, virou piloto de teste da fábrica). O trabalho despertou o interesse da comunidade científica e em 1991 Neiva apresentou os primeiros resultados sobre a biologia reprodutiva da arara azul no I Congresso Brasileiro de Ornitologia, em Belém-PA e na Reunião de Ornitólogos Americanos, em Montreal no Canadá.
Em Outubro de 1993 Neiva Guedes concluiu o mestrado, com reconhecimento pela qualidade técnica, inovação e relevância da pesquisa. Continuou o Projeto sem nenhum vínculo institucional e em março de 1994 ingressou no CESUP atualmente UNIDERP. Na Universidade, Neiva recebeu todo apoio dos dirigentes da instituição e prosseguiu na luta pela conservação da arara azul.
Em 1998 com a base no R. E. Caiman pode contratar um assistente de pesquisa para ficar em tempo integral no campo. Até então, Neiva pegava o jipe Toyota viajava por 20 a 30 dias pelo Pantanal, transportando equipamentos, comida e no máximo, mais um assistente. Na época contava com a ajuda dos familiares, amigos, voluntários e estagiários. Apesar de dezenas pessoas terem colaborado nas atividades de campo, Neiva era a única pessoa a conhecer todos os ninhos cadastrados. Além da pesquisa era piloto de teste, motorista, mecânica, alpinista, relações públicas a quem competia fazer captação e administrava o Projeto.Neiva estudou a vida das araras azuis em vida livre e passou a manejar o ambiente, testando e produzindo ninhos artificiais, manejando ovos e filhotes, e acima de tudo, envolvendo a população e divulgando a importância de se manter as araras-azuis livres e voando na natureza. Assim, aves que nas últimas décadas estavam ficando raras, tornaram-se comuns e abundantes em várias regiões do Pantanal e Estado de Mato Grosso do Sul. Fato este, não só constatado pelos dados coletados pela pesquisadora, mas também por outros cientistas e moradores locais. Nos últimos 17 anos o projeto se tornou um exemplo de conservação, servindo de referência para outros Psitacídeos no Brasil e no mundo.
Neiva Guedes possui várias produções bibliográficas, com artigos publicados em periódicos científicos, publicações em eventos e Congressos, capítulos de livros e dezenas de palestras proferidas no Brasil e exterior. Neiva treinou mais de uma centena de acadêmicos (nacionais e estrangeiros) em suas técnicas desenvolvidas para o Projeto e contribuiu para a elaboração de material didático.
Por sua atuação na conservação da biodiversidade brasileira Neiva recebeu alguns prêmios, entre eles podemos destacar: Prêmio Pieter Oyens, Prêmio Natureza e Sociedade em reconhecimento a qualidade técnica, de inovação e relevância por sua dissertação que foi considerada um dos cinco melhores trabalhos de pós-graduação; Prêmio Super Ecologia 2002; Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica 2002; Comenda Grão Mestre da Order of the Golden Ark, do Príncipe Berhnard da Holanda em 2004; Troféu Eco-cidadão 2004; Prêmio Ambiental Von Martius 2004; Prêmio Ecologia e Ambientalismo, 2005; Menção Honrosa no Prêmio Arara azul da UNIDERP, 2005.
Neiva Guedes foi casada com Joaselei Lemos Cardoso, com quem tem uma filha chamada Sophia.
Desde 1990 executa e coordena o Projeto Arara Azul, onde desenvolveu estudos sobre a biologia básica e monitoramento da espécie, Anodorhynchus hyacinthinus, ameaçada de extinção. Promove atividades de manejo e educação ambiental para a conservação da natureza. É membro do “Comitê para Conservação e Manejo da arara-azul-grande Anodorhynchus hyacinthinus”, “Comitê para Conservação e Manejo da arara-azul-de-lear Anodorhynchus leari” e do “Grupo de Trabalho para Recuperação da ararinha-azul Cyanopsitta spixii” coordenados pelo IBAMA. Faz parte do Board of the Parrots International.
Tem vários trabalhos publicados em capítulos de livros, artigos e congressos, bem como tem proferido inúmeras palestras no Brasil e no exterior.
Área de atuação: biologia, manejo, conservação.
Projeto Arara Azul: Uma bandeira para a conservação do Pantanal. Jornal do Conselho Regional de Biologia 1a. Região (SP, MT, MS), São Paulo, ano XI, n.134, p.5-9, janeiro de 2006. (DOWNLOAD ARTIGO)
A madrinha das araras azuis. O Eco, www.oeco.com.br, 21 de agosto de 2005. (DOWNLOAD ARTIGO)
Ambiente Brasil, www.ambientebrasil.com.br, 13 de outubro de 2004. (VISUALIZAR ARTIGO)
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