

Ao olhar para a imagem acima, provavelmente vocês imaginam que essas tartaruguinhas estão caminhando para um paraíso azul onde viverão uma vida feliz junto dos outros animais, certo? Porém, vamos explorar melhor este assunto! Na terra ou no mar os animais lutam pela sobrevivência, sobretudo para passar seus genes adiante, ou seja, manter-se geneticamente vivos. Entretanto, nós humanos estamos dificultando a vida desses animais quando descartamos plásticos ou equipamentos de pesca de forma inadequada, pois esse lixo acaba chegando ao mar.
No caso das tartarugas marinhas, desde seu nascimento até sua chegada ao mar, encontram diversos desafios para sobreviver. Até atingirem a fase adulta, elas podem encontrar contratempos, dentre os quais podemos citar predadores e o lixo. Aquelas redes de pesca e petrechos “esquecidos” no mar acabam sendo também grandes armadilhas desse lar. Por isso, ouvimos com frequência que as situações que mais colocam os animais marinhos em risco são nossas próprias atitudes.
De acordo com a ONG World Animal Protection (Proteção Animal Mundial), cerca de 640 mil toneladas de equipamentos são encontrados no oceano a cada ano e estima-se que 580 kg de redes de pesca sejam abandonadas por dia no Brasil. Tartarugas e outros animais de grande porte estão sujeitos a enroscar-se nesses materiais, onde os emalhes acabam gerando sufocamento, e consequentemente encalhe ou a mortalidade por afogamento. Quando conseguem escapar, os animais carregam enormes ferimentos e lesões pelos seus corpos.
É cada vez mais frequente o relato de Instituições e ONGs que trabalham com resgate e reabilitação de animais marinhos, sobre encalhes devido à interação com a poluição, resíduos sólidos e restos de materiais de pesca. Na imagem abaixo, vemos uma tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) que foi encontrada com fratura exposta na nadadeira, já necrosada e que precisou ser amputada. De acordo com a professora Andréa Bezerra Magalhães, eEla não resistiu à cirurgia e morreu no Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Após a necropsia, o animal foi taxidermizado e está conservado no Museu de Zoologia da instituição. São evidentes as marcas deixadas pela rede de pesca na nadadeira e no pescoço do animal. Mais do que as marcas externas, o laudo de necropsia revelou extensas áreas de necrose tecidual nas outras três nadadeiras, resultado do esforço do animal para se livrar da armadilha.
Contudo, é possível que esses animais saiam com vida ao se prenderem incidentemente em redes de pesca ou em espinhéis em atividade. Essa possibilidade cresce quando os pescadores trabalham atentos e dentro da lei.
Com orientações dos pesquisadores, os pescadores adequaram seus horários de pesca aos períodos que as tartarugas estão menos ativas. Com isso, acabam pescando mais peixes e as tartarugas caindo menos em suas redes. Também informaram-se quanto a características das redes de emalhe, como dimensão, malha, profundidade e espécies-alvo, fatores que ajudaram na diminuição de interação das redes com as tartarugas. Foram também desenvolvidas novas medidas para a pesca com espinhel. Pesquisadores do Projeto Tamar, após diversos estudos e testes, projetaram um anzol diferenciado, com formato circular, mais achatado, que tornou-se de uso obrigatório pela Portaria Interministerial 74/2017 para embarcações nacionais e estrangeiras arrendadas, e empregaram o uso de um desenganchador de anzol.
Quando os animais tentam roubar as iscas, o anzol não passa mais pela garganta, apenas enroscam nas cavidades bucais, podendo ser retirados sem machucar os animais. Essas medidas propiciam a redução de captura incidental e a mortalidade de tartarugas. Diversas ONGs espalhadas pelo Brasil monitoram as praias a fim de encontrar animais encalhados ou carcaças. Na maioria das vezes, os animais encalhados ainda com vida ganham uma chance de sobreviver. O rápido resgate, seguido do pronto atendimento realizado por veterinários especializados, possibilita a volta de muitos animais ao seu habitat natural.
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