

Os cetáceos, que têm como principais representantes as baleias e os golfinhos, são um grupo de mamíferos que vivem exclusivamente na água. Embora a maioria dos cetáceos seja reconhecida pela sua aparência e comportamento amigável, o nome do grupo tem origem em um monstro marinho da mitologia grega chamado Cetus. As baleias compreendem os cetáceos que possuem barbatanas ao invés de dentes (Mysticeti ou baleen whales). Essas barbatanas são formadas por placas de queratina (mesma estrutura que forma nossas unhas e cabelos) que ajudam a filtrar e capturar os alimentos na água. Estes cetáceos compreendem animais famosos como a baleia-jubarte, a baleia-franca e a baleia-azul. Já os golfinhos e orcas são exemplos de cetáceos com dentes (Odontoceti), membros da família Delphinidae.
Existem ainda outros cetáceos que não são nem do grupo das baleias com barbatanas nem do grupo dos golfinhos. É o caso dos focenídeos, narvais, belugas, baleias bicudas e cachalotes. Imagem formada por quatro fotos. 1- um focenídeo no fundo do mar. 2- um narval com a cabeça e seu enorme dente para fora da água. 3- uma beluga no fundo do mar. 4- uma cachalote com seu filhote no fundo do mar.
Já na década de 1990 os cientistas desconfiavam dessa proximidade entre cetáceos e artiodátilos. Duane Gish, um grande defensor da pseudociência Design Inteligente, chegou a satirizar a descoberta, dizendo que só acreditaria nisso se encontrassem um fóssil de um organismo metade vaca e metade baleia. É claro que o surgimento dos cetáceos não ocorreu quando vacas decidiram virar sereias. Os primeiros cetáceos surgiram há cerca de 50 milhões de anos, derivados de populações antigas de artiodátilos terrestres que gradualmente foram passando cada vez mais tempo na água. Existem vários fósseis de cetáceos que mostram como ocorreu essa transição gradual do ambiente terrestre para o ambiente aquático. O encurtamento dos ossos da pelve, a perda dos membros posteriores e o surgimento de uma cauda são as principais adaptações que facilitaram o nado e permitiram esta transição.
No mundo real os cetáceos também são reconhecidos por suas habilidades sociais e cognitivas, que costumam ser comparadas às habilidades humanas. Os golfinhos estão no seleto grupo de animais que conseguem se reconhecer no espelho, capacidade que nós humanos adquirimos só com cerca de 1 ano e meio de idade. Outra capacidade incrível dos cetáceos é a comunicação. Dentro de um grupo cada golfinho é identificado por um ‘assovio’ diferente, que funciona como se fosse um nome próprio ao qual eles respondem. Além dessa boa capacidade de comunicação, os golfinhos também têm uma excelente memória: em um experimento, os golfinhos conseguiram reconhecer o chamado de companheiros que foram transferidos para outros zoológicos, mesmo eles estando separados há 20 anos!
Na Argentina, as orcas adultas ensinam as mais jovens a “brincar de encalhar” e desencalhar na praia, treinando as mais jovens para caçar leões-marinhos perto da areia. As baleias-jubarte também foram capazes de transmitir culturalmente umas para as outras uma excelente tática de pesca: elas produzem bolhas embaixo d’água, que funcionam como uma “rede que prende” os peixes que servirão de alimento para as baleias.
Voltando à ficção: em “O Guia dos Mochileiros das Galáxias” os golfinhos utilizam toda essa capacidade comunicativa para tentar avisar a humanidade de um iminente fim do nosso planeta:
“Curiosamente, há muito que os golfinhos sabiam da iminente destruição do planeta, e faziam de tudo para alertar a humanidade; porém suas tentativas de comunicação eram geralmente interpretadas como gestos lúdicos com o objetivo de rebater bolas ou pedir por comida, e por isso acabaram desistindo e abandonaram a Terra por seus próprios meios antes que os vogons [alienígenas cruéis] chegassem. A derradeira mensagem dos golfinhos foi entendida como uma tentativa extraordinariamente sofisticada de dar uma cambalhota dupla para trás assobiando o hino nacional, mas na verdade o significado da mensagem era: Até mais e obrigado pelos peixes!”
No mundo real os golfinhos também estão ameaçados. A poluição dos ambientes aquáticos, a caça e até mesmo o aquecimento global são fatores que têm colocado a existência destes animais incríveis em risco.
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