{"id":21643,"date":"2020-07-25T18:40:39","date_gmt":"2020-07-25T21:40:39","guid":{"rendered":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/?p=21643"},"modified":"2020-07-28T17:38:10","modified_gmt":"2020-07-28T20:38:10","slug":"o-fado-e-o-brasil-uma-redescoberta-das-origens-brasileiras-do-fado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/o-fado-e-o-brasil-uma-redescoberta-das-origens-brasileiras-do-fado\/","title":{"rendered":"O fado e o Brasil &#8211; uma (re)descoberta das origens brasileiras do fado"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<h4><strong>O FADO E O BRASIL &#8211; UMA (RE)DESCOBERTA DAS ORIGENS BRASILEIRAS DO FADO<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h5>08\/05\/2020 &#8211; Jos\u00e9 Fernando Monteiro<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h6>O fado \u00e9, reconhecidamente, o representante da \u201calma portuguesa\u201d por excel\u00eancia, mas suas refer\u00eancias nos conduzem a parentescos \u00e1rabes, espanh\u00f3is e tamb\u00e9m brasileiros. \u00c9 no s\u00e9culo XIX que insurge na capital portuguesa, um tipo de m\u00fasica, ainda mal formulado, praticado pela escumalha lisboeta, nas tabernas, acompanhados por violas, bandolins e a, ainda igualmente mal estruturada, guitarra portuguesa. Essa m\u00fasica recebeu o nome de \u201cfado\u201d, voc\u00e1bulo derivado da palavra latina \u201cfatum\u201d (que tamb\u00e9m deu origem a \u201cfada\u201d) e significa \u201cdestino, sina, sorte, fortuna e fatalidade.\u201d (LOPES, 2014, p. 14; LOPES, 2016, p. 09). Nesta acep\u00e7\u00e3o, o termo \u201cfado\u201d j\u00e1 foi utilizado por Lu\u00eds Vaz de Cam\u00f5es no s\u00e9culo XVI:<\/p>\n<p>\u201cCom que voz chorarei meu triste fado,<br \/>\nque em t\u00e3o dura pris\u00e3o me sepultou,<br \/>\nque mor n\u00e3o seja a dor que me deixou<br \/>\no tempo, de meu bem desenganado?\u201d<\/p>\n<p>E por Bocage, no s\u00e9culo XVIII:<br \/>\n\u201cQue eu fosse enfim desgra\u00e7ado,<br \/>\nEscreveu do fado a m\u00e3o;<br \/>\nLei do fado n\u00e3o se muda,<br \/>\nTriste do meu cora\u00e7\u00e3o!\u201d  <\/p>\n<p>Contudo, as verdadeiras origens do fado s\u00e3o dispersas e difusas, o que de forma alguma desqualifica o g\u00eanero. Em M\u00fasica, Doce M\u00fasica (1934), M\u00e1rio de Andrade deixa clara a autenticidade do fado ao ratificar que: \u201cnascido na Conchinchina ou na Groel\u00e2ndia, nem por isso o Fado deixar\u00e1 jamais de ser legitimamente portugu\u00eas.\u201d (ANDRADE, 1934, p. 111). O mesmo faz Eul\u00e1lia Moreno, nas p\u00e1ginas que antecedem a compila\u00e7\u00e3o de biografias realizada por Thais Matarazzo, no livro Fado no Brasil: Artistas &#038; Mem\u00f3rias (2013):<\/p>\n<p>\u201cNascido em navios negreiros ou \u2018nos peitos dos marinheiros\u2019, nas vielas mal afamadas de Lisboa, onde transitou at\u00e9 os sal\u00f5es reais, o Fado \u00e9 a m\u00fasica popular de Portugal porque pelo povo portugu\u00eas foi adotado como express\u00e3o da sua nacionalidade e ganhou o Mundo e n\u00e3o apenas o vasto mundo da L\u00edngua Portuguesa.\u201d (MORENO apud MATARAZZO, 2013, p. 11).<\/p>\n<p>De fato, a expans\u00e3o portuguesa pelo mundo, inequ\u00edvoca e inevitavelmente, ocasionou cruzamentos diversos, inclusive entre a m\u00fasica portuguesa e a musicalidade local das col\u00f4nias: \u201c[\u2026] originando g\u00eaneros extremamente caracter\u00edsticos como o mand\u00f3, em Goa, a morna, em Cabo Verde, a modinha, no Brasil e outras melodias de influ\u00eancia portuguesa em Malaca, Timor e Indon\u00e9sia, mantendo ainda tra\u00e7os comuns com o fado, em Portugal.\u201d (MONTEIRO, 2019, p. 109, rodap\u00e9). Moreno, no entanto, ao evidenciar o entrecruzamento das culturas brasileira e portuguesa, tamb\u00e9m levanta um questionamento: \u201c[\u2026] se o Cristo Rei abra\u00e7a o Cristo Redentor, com certeza, ambos aben\u00e7oam as duas P\u00e1trias unidas pelo mesmo mar e pela mesma L\u00edngua. E nos permite at\u00e9 sonhar\u2026 Quem sabe o Fado ser\u00e1 mesmo brasileiro?\u201d (MORENO apud MATARAZZO, op. cit., pp. 11-12).<\/p>\n<p>Muitos s\u00e3o, de fato, os que atribuem e evidenciam as origens brasileiras do fado, e de acordo com o folclorista Renato Almeida, que inclui o fado no cap\u00edtulo \u201cAs Cantigas do Brasil\u201d, em seu Hist\u00f3ria da M\u00fasica Brasileira ([1926] 1942): \u201cQue o fado nasceu no Brasil, parece j\u00e1 haver acordo definitivo por quantos estudaram o assunto, e tamb\u00e9m n\u00e3o resta d\u00favida de que o lundu foi seu av\u00f4.\u201d (ALMEIDA, 1942, p. 78). H\u00e1 ainda fartas cita\u00e7\u00f5es de fados praticados nos terreiros das festas coloniais no Brasil, onde, na verdade, o fado nasce n\u00e3o como m\u00fasica, mas, inicialmente, como dan\u00e7a. E, apesar de Rui Vieira Nery salientar que o \u201cfado dan\u00e7a\u201d, praticado no Brasil col\u00f4nia, \u201cest\u00e1 longe ainda de ser o Fado portugu\u00eas\u201d, reconhece nele: \u201c[&#8230;] o n\u00facleo duro da sua origem, de que emergem in\u00fameras facetas de uma persist\u00eancia ininterrupta no seio da pr\u00e1tica fadista portuguesa [&#8230;] e que tender\u00e3o depois a manter-se no g\u00e9nero, em muitos casos at\u00e9 os nossos dias.\u201d (NERY, [2004] 2012, p. 23). Mas, como tamb\u00e9m adverte Vieira Nery, reivindicando a reconhecida \u2018portugalidade\u2019 do fado:<\/p>\n<p>\u201cA constata\u00e7\u00e3o \u2013 historicamente incontorn\u00e1vel \u2013 de que as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es registadas do Fado tiveram lugar no Brasil colonial n\u00e3o tornam \u2018menos portugu\u00eas\u2019 o seu desenvolvimento ulterior em Portugal, at\u00e9 porque este se foi concretizando sob formas constantemente renovadas que em cada fase hist\u00f3rica sucessiva da evolu\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero souberam traduzir realidades socioculturais cada vez mais identit\u00e1rias do nosso Pa\u00eds.\u201d (NERY, op. cit., p. 50).<\/p>\n<p>M\u00e1rio de Andrade corrobora com essa assertiva ao afirmar que: \u201cO que realiza, justifica e define uma cria\u00e7\u00e3o nacional folcl\u00f3rica \u00e9 a sua adapta\u00e7\u00e3o pelo povo.\u201d (ANDRADE, op. cit., p. 111). Ou seja, para M\u00e1rio de Andrade, o fado \u00e9 portugu\u00eas e se tornou portugu\u00eas, pois foi integrado \u00e0quela cultura e corresponde \u00e0 uma \u201cexpress\u00e3o de nacionalidade\u201d portuguesa, porque assim foi reconhecido pelos portugueses \u201ce se definitivou como forma nacional permanente\u201d, independentemente de onde encontre suas origens e\/ou primeiras manifesta\u00e7\u00f5es. Para refor\u00e7ar sua tese, Andrade compara o fado \u00e0 modinha, que \u00e9 brasileira porque foi no Brasil que se desenvolveu e se estruturou indiferentemente de ter-se originado da moda rural portuguesa trazida pelos colonizadores. Ainda nesta dire\u00e7\u00e3o, Pinto de Carvalho, o Tinop, abre seu livro, Hist\u00f3ria do Fado, com as seguintes palavras: \u201c\u00c9 pelas can\u00e7\u00f5es populares que um paiz traduz mais lididamente o seu caracter nacional e os seus costumes.\u201d (CARVALHO, [1903] 1910, p. 01).<\/p>\n<p>Interessante \u00e9 constatarmos, no entanto, que \u201co fado teve exist\u00eancia brasileira j\u00e1 muito importante\u201d, como comprova M\u00e1rio de Andrade atrav\u00e9s do estudo de publica\u00e7\u00f5es de te\u00f3ricos, dicionaristas e viajantes (o que chama de \u201cfadografia portuguesa\u201d) (ANDRADE, op. cit., p. 116). M\u00e1rio de Andrade apresenta como refer\u00eancia mais recuada ao fado no Brasil a publica\u00e7\u00e3o Essai Statistique sur le Royaume de Portugal et d\u2019Algarve, do veneziano Adrien Balbi. Nesta obra, depois de anunciar as dan\u00e7as populares portuguesas como \u201cmuito grosseiras ou muito indecentes\u201d (\u201ctr\u00e8s-grossi\u00e8res ou tr\u00e8s-ind\u00e9centes\u201d), o viajante destaca que s\u00e3o \u201csobretudo importadas do Brasil e de origem africana\u201d (\u201dplut\u00f4t import\u00e9es du Br\u00e9sil et d\u2019origine africaine\u201d), enumerando o \u201clundu\u201d, o \u201cfandango portugu\u00eas\u201d, esta \u00faltima, segundo ele, a \u201cverdadeira dan\u00e7a nacional\u201d (\u201cle vraie danse nationale\u201d), o \u201cbaile da roda\u201d e, por fim: \u201cLe chioo [(chiba?)], la chula, le fado et la volta no meio\u201d; estas as \u201cmais comuns e not\u00e1veis do Brasil\u201d (\u201cles plus communes et les plus remarquables du Br\u00e9sil\u201d) (BALBI, 1822, p. ccxxviii; ANDRADE, op. cit., p. 116).<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ramos Tinhor\u00e3o, por sua vez, prop\u00f5e-se a encerrar a quest\u00e3o em Fado: Dan\u00e7a do Brasil. Cantar de Lisboa: O fim de um mito (1994), e \u00e9 contundente em assegurar que o fado \u201capareceu no Rio de Janeiro de fins do s\u00e9culo XVIII\u201d, mas, divergindo um pouco de M\u00e1rio de Andrade, aponta como \u201cprimeira descri\u00e7\u00e3o documentada do fado\u201d, \u201ca do viajante Louis Claude Desaulces de Freycinet (1771-1842), que por duas vezes visitou o Rio de Janeiro (de in\u00edcios de Dezembro de 1817 a Janeiro de 1818, e de Junho a Setembro de 1820)\u201d. De acordo com Tinhor\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cNo seu livro Voyage autour du monde\u2026, publicado em 1825, ap\u00f3s o seu regresso a Paris, ao recordar o que vira na corte brasileira de D. Jo\u00e3o VI em mat\u00e9ria de divers\u00f5es, registava Freycinet: \u2018As classes menos cultas preferem quase sempre as lascivas dan\u00e7as nacionais, muito parecidas com as dos negros da \u00c1frica. Cinco ou seis delas s\u00e3o bem caracterizadas: o lundum \u00e9 a mais indecente; e em seguida o caranguejo e los fados [sic] em n\u00famero de cinco: estas dan\u00e7am-se com a participa\u00e7\u00e3o de quatro, seis, oito e at\u00e9 dezasseis pessoas: \u00e0s vezes s\u00e3o entremeadas de cantos improvisados; apresentam variadas figura\u00e7\u00f5es, mas todas muito lascivas.\u201d (FREYCINET apud TINHOR\u00c3O, 1994, p. 50).<\/p>\n<p>Rui Viera Nery repete os mesmos viajantes citados por M\u00e1rio de Andrade e Jos\u00e9 Ramos Tinhor\u00e3o, como respons\u00e1veis pelos primeiros registros do termo \u201cfado\u201d, ainda que enquanto dan\u00e7a praticada no Brasil apenas, e acrescenta outros viajantes que tamb\u00e9m cunharam o termo em seus escritos, destacando tamb\u00e9m o poeta Felisberto In\u00e1cio Janu\u00e1rio Cordeiro, chamado na Arc\u00e1dia como Falmeno, que publica Poesias de um Lisbonense, em 1927, no Rio de Janeiro, de onde Vieira Nery extrai os versos:<\/p>\n<p>\u201cEm espa\u00e7oso terreiro<br \/>\nGentes vi bailar mui bem<br \/>\nMimoso Fado e tamb\u00e9m<br \/>\nEngra\u00e7ado Tacor\u00e1<br \/>\nNas belas noites de lua<br \/>\nQuando \u00e9 lindo o Paquet\u00e1<\/p>\n<p>[\u2026]<\/p>\n<p>Sem largas das m\u00e3os a lira,<br \/>\nPelo prazer transportado,<br \/>\nCelebro os bailes do Fado,<br \/>\nTacor\u00e1, carangueijinho\u2026<br \/>\nNestas chulices de Amor<br \/>\nPaquet\u00e1 \u00e9 mui bonsinho.\u201d<br \/>\n(CORDEIRO apud NERY, op. cit., pp. 20-22).<\/p>\n<p>Rui Vieira Nery afirma ainda que: \u201cO primeiro aspecto a constatar na procura das ra\u00edzes hist\u00f3ricas do Fado \u00e9 a de que at\u00e9 o final do s\u00e9culo XVIII n\u00e3o conhecemos uma \u00fanica fonte escrita portuguesa em que esta palavra seja utilizada com qualquer conota\u00e7\u00e3o musical.\u201d (NERY, op. cit., p. 17). Essa inexist\u00eancia seria propositada, partindo dos autores eruditos que tomados por um \u00edmpeto puritano, relutaram em mencionar \u201cuma pr\u00e1tica art\u00edstica de natureza pouco respeit\u00e1vel\u201d, ao que Nery chama de \u201comiss\u00e3o conspirat\u00f3ria\u201d (NERY, op. cit., p. 17).<\/p>\n<p>Neste ponto, entretanto, h\u00e1 certa imprecis\u00e3o, pois notamos que em seu Di\u00e1rio de Viagem, D. Lu\u00eds Ant\u00f4nio de Sousa Botelho Mour\u00e3o, o 4\u00ba Morgado de Mateus, governador de S\u00e3o Paulo entre 1765 e 1775, registra em seus manuscritos ter presenciado \u201cadmir\u00e1veis tocatas\u201d, um festejo com \u201carias e modilhos\u201d e ainda um \u201cbatuque com muitos fados\u201d (MOUR\u00c3O, 1765-1774). Neste registro de Botelho Mour\u00e3o, apesar de mais uma vez se evidenciar a liga\u00e7\u00e3o entre o fado e a m\u00fasica dos negros da col\u00f4nia (atrav\u00e9s do termo \u201cbatuque\u201d 1) e de haver uma aparente inclina\u00e7\u00e3o do termo \u201cfado\u201d para denominar um tipo de \u201cm\u00fasica\u201d, e n\u00e3o exclusivamente uma \u201cdan\u00e7a\u201d, \u00e9 dif\u00edcil precisar a que tipo de m\u00fasica ou dan\u00e7a se refere, ou se apenas o voc\u00e1bulo \u00e9 utilizado como algo generalizante (como \u201cbatuque\u201d). Dif\u00edcil tamb\u00e9m \u00e9 assegurar se o morgado trouxe este termo consigo de Portugal ou travou contato com o termo no Brasil. Mas, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que talvez esteja a\u00ed o mais antigo registro do nome \u201cfado\u201d, documentado, em sentido musical, e por um portugu\u00eas, vindo da metr\u00f3pole.<\/p>\n<p>Manuel Ant\u00f4nio de Almeida, todavia, no romance folhetinesco Mem\u00f3rias de um Sargento de Mil\u00edcias, publicado originalmente em 1854, mas ambientado \u201c\u2018no tempo do Rei\u2019, ou seja, entre 1817 e 1821\u201d, como acrescenta Tinhor\u00e3o (op. cit., p. 52), descreve com perfei\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a do \u201cfado-dan\u00e7a\u201d no Brasil. Ao narrar o nascimento do personagem principal, Leonardo, filho dos portugueses Leonardo Pataca e Maria, enuncia o autor ao descrever a festa de batizado do menino: \u201cJ\u00e1 se sabe que houve nesse dia fun\u00e7\u00e3o: os convidados do dono da casa, que eram todos d\u2019al\u00e9m-mar, cantavam ao desafio, segundo seus costumes; os convidados da comadre, que eram todos da terra, dan\u00e7avam o fado.\u201d (ALMEIDA, 1996, p. 02). Manuel Ant\u00f4nio de Almeida, ao contr\u00e1rio de M\u00e1rio de Andrade, atribui clara nacionalidade brasileira ao fado, e origem portuguesa \u00e0 modinha, ao destacar que na mesma celebra\u00e7\u00e3o, Leonardo Pataca, como bom portugu\u00eas que era, garganteou uma \u201cmodinha p\u00e1tria\u201d, confus\u00e3o que o tempo se encarregou de desfazer e sobre o que discutimos em outra oportunidade (MONTEIRO, op. cit.).<\/p>\n<p>Esse fado, notabilizado por Manuel Ant\u00f4nio de Almeida, todavia, tal como apontou o viajante Balbi, era t\u00edpico das celebra\u00e7\u00f5es mais baixas, de uma \u201calgazarra\u201d \u201cem que a dec\u00eancia e os ouvidos dos vizinhos n\u00e3o eram muito respeitados\u201d (ALMEIDA, op. cit., p. 12). Na verdade, Almeida, p\u00e1ginas a frente, ao descrever uma \u201cfesta de ciganos\u201d, faz uma substanciosa descri\u00e7\u00e3o do que era o fado no Brasil, uma dan\u00e7a \u201cvoluptuosa\u201d, com forma diversificada (misto de lundu e fandango espanhol), de \u201cpassos dificultosos\u201d, \u201cairosas posi\u00e7\u00f5es\u201d, \u201cnega\u00e7as e viravoltas\u201d, com \u201cestalar de dedos\u201d, \u201cbate palmas\u201d, as vezes \u201csapateados\u201d, dan\u00e7ada em roda, sozinho ou por casais, induvidavelmente devotada \u00e0 chala\u00e7a e \u00e0 vadiagem. A m\u00fasica era ainda mais incerta, uma m\u00fasica diferente para cada dan\u00e7a, mas sempre tocada na viola, podendo o tocador entoar ainda uma cantiga verdadeiramente po\u00e9tica. Isso poderia durar uma noite ou v\u00e1rios dias e noites inteiras (ALMEIDA, op. cit., p. 15).<\/p>\n<p>Manuel Ant\u00f4nio de Almeida descreve-nos uma dan\u00e7a claramente urbana, praticada no Rio de Janeiro, novo centro do pa\u00eds e capital do Imp\u00e9rio. Mas, outras cita\u00e7\u00f5es do fado, enquanto dan\u00e7a brasileira, localizam-no no meio rural, indicando que o fado insurge no Brasil e ganha os meios urbanos, em especial o Rio de Janeiro, e depois de esquecido nos meios citadinos, o fado \u00e9 assimilado pela popula\u00e7\u00e3o do interior do pa\u00eds, passando a ser uma manifesta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m do campo. Segundo Jos\u00e9 Ramos Tinhor\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cEssa r\u00e1pida traject\u00f3ria descendente da popularidade do fado brasileiro a partir da segunda metade de Oitocentos ficaria atestada, ali\u00e1s no teatro \u2013 desde O Juiz da Paz da Ro\u00e7a, de Martins Pena, de 1838, \u00e0 revista O Carioca, de Artur Azevedo e Moreira Sampaio, de 1886, onde o fado figurava caricaturalmente como dan\u00e7a da ro\u00e7a, e na literatura de fic\u00e7\u00e3o, bastando o romance A Fam\u00edlia Aguda, de Lu\u00eds Guimar\u00e3es J\u00fanior, para documentar em 1870 a sua morte como dan\u00e7a urbana.\u201d (TINHOR\u00c3O, op. cit., pp. 54-55).<\/p>\n<p>Em 1888, Mello Morais Filho publica Festas e Tradi\u00e7\u00f5es Populares do Brasil, onde indica tamb\u00e9m a presen\u00e7a do fado no meio rural, atrav\u00e9s da descri\u00e7\u00e3o de um \u201cCasamento na Ro\u00e7a\u201d. Neste cap\u00edtulo, que abre o livro, Mello Morais tamb\u00e9m atribui nacionalidade brasileira ao fado: \u201cE quando as dan\u00e7as estrangeiras paravam, o fado rompia nas violas, ponteadas pelos tocadores da ro\u00e7a, no sal\u00e3o que come\u00e7ava a aclarar-se das barras long\u00ednquas do amanhecer.\u201d (MORAIS FILHO, 1967, pp. 38-39). Na celebra\u00e7\u00e3o, o fado assume uma fun\u00e7\u00e3o festiva, dan\u00e7ante, mas secund\u00e1ria, s\u00f3 assume protagonismo depois de terminadas as solenes dan\u00e7as estrangeiras e notadamente se direciona \u00e0s camadas mais baixas, como denota a engra\u00e7ada cantiga transcrita pelo autor:<\/p>\n<p>\u201cO fado veio no mundo<br \/>\nPara amparo da pobreza<br \/>\nQuando me vejo num fado<br \/>\nN\u00e3o me importo com a riqueza.\u201d<br \/>\n(MORAIS FILHO, op.cit., p. 39).<\/p>\n<p>M\u00e1rio de Andrade tamb\u00e9m se refere a uma publica\u00e7\u00e3o do Dr. Em\u00edlio Germon, na revista Iris, do Rio de Janeiro, em 1848, em que descreve \u201cfestas sertanejas\u201d nas quais: \u201cOs primeiros sons s\u00e3o lentos e mon\u00f3tonos, e \u00e0s vezes interrompidos pelas convivais gargalhadas das Marias e dos Manoeis; mas logo se precipitam; come\u00e7a o fado, muda a cena.\u201d (GERMON apud ANDRADE, op. cit., p. 115).<\/p>\n<p>Como deduz-se pela indica\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cMarias e Manoeis\u201d no trecho acima e pela narrativa de Manuel Ant\u00f4nio de Almeida, ainda que constatemos que o fado tem proveni\u00eancia do Brasil e que lhe seja atribu\u00edda nacionalidade brasileira, ao menos inicialmente, enquanto dan\u00e7a, \u00e9 poss\u00edvel reconhecer que mesmo durante sua perman\u00eancia no pa\u00eds, sempre esteve atrelado \u00e0 viv\u00eancia portuguesa, em meio aos colonos, imigrantes e integrado \u00e0 conviv\u00eancia entre os portugueses e brasileiros e entre portugueses e seus descendentes.<\/p>\n<p>Foi esse gosto e apre\u00e7o dos portugueses pelo fado encontrado no Brasil o que levou o g\u00eanero a ser repatriado em solo portugu\u00eas, adotado como m\u00fasica nacional e n\u00e3o s\u00f3 isso: \u201cEncontrou na Severa a sua lenda e na guitarra o seu instrumento ideal, foi batido romanticamente em Coimbra, e tornou-se enlevo e paix\u00e3o da gente [\u2026]\u201d (ALMEIDA, op. cit., p. 79); como lembra Renato Almeida, que tamb\u00e9m salienta: \u201c\u00c9 preciso, por\u00e9m, n\u00e3o esquecer que se o povo canta \u00e9 porque gosta e sente, e essas raz\u00f5es ocultas a gente n\u00e3o pode adivinhar, sendo perigoso e in\u00fatil conden\u00e1-las. Tamb\u00e9m, n\u00e3o ser\u00e1 por protestos, altos ou judiciosos, que o Manoel e a Maria deixar\u00e3o de bater seu fado\u2026\u201d (ALMEIDA, op. cit., p. 79).<\/p>\n\n\t\t\t<style type='text\/css'>\n\t\t\t\t#sc_gallery-1 {\n\t\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t#sc_gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\t\twidth: 24.99%;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t#sc_gallery-1 img {\n\t\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t#sc_gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t\t}\n\t\t\t\t\/* see sc_gallery() in functions\/theme-shortcodes.php *\/\n\t\t\t<\/style>\n\t\t<div id='sc_gallery-1' class='gallery galleryid-21643 gallery-columns-4 gallery-size-thumbnail file'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t<a href='https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/a1.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/a1-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/a1-150x150.jpeg 150w, https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/a1-85x85.jpeg 85w, https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/a1-80x80.jpeg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption'>\n\t\t\t\t\tFigura 1: O Fado, Jos\u00e9 Malhoa, 1910. (Foto por: Musica Brasilis)\n\t\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t\t<a href='https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig2_tinop-historia-do-fado.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig2_tinop-historia-do-fado-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig2_tinop-historia-do-fado-150x150.jpeg 150w, https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig2_tinop-historia-do-fado-85x85.jpeg 85w, https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig2_tinop-historia-do-fado-80x80.jpeg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption'>\n\t\t\t\t\tFigura 2: Capa da primeira edi\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria do Fado (1903), Pinto de Carvalho (Tinop). (Foto por: Musica Brasilis)\n\t\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t<a href='https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig3_fandango_danse.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig3_fandango_danse-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig3_fandango_danse-150x150.jpeg 150w, https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig3_fandango_danse-85x85.jpeg 85w, https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig3_fandango_danse-80x80.jpeg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption'>\n\t\t\t\t\tFigura 3: A dan\u00e7a do fandango, James Cavanah Murphy, 1795 (Foto por: Musica Brasilis)\n\t\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t\t<a href='https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig4_rugendas_lundu_1835.jpeg'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig4_rugendas_lundu_1835-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig4_rugendas_lundu_1835-150x150.jpeg 150w, https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig4_rugendas_lundu_1835-85x85.jpeg 85w, https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/fig4_rugendas_lundu_1835-80x80.jpeg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption'>\n\t\t\t\t\tFigura 4: A dan\u00e7a do lundu, Johann Moritz Rugendas, 1835 (Foto por: Musica Brasilis)\n\t\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t\t<\/div>\n\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><h7><br \/>\n<strong>Bibliografia:<\/strong><br \/>\nALMEIDA, Manuel Ant\u00f4nio de. Mem\u00f3rias de um sargento de mil\u00edcias. 25. ed [vers\u00e3o eletr\u00f4nica]. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1996.<br \/>\nALMEIDA, Renato. Hist\u00f3ria da M\u00fasica Brasileira. Segunda Edi\u00e7\u00e3o correta e aumentada. Rio de Janeiro: F. Briguiet &#038; Comp. \u2013 Editores, [1926] 1942.<br \/>\nANDRADE, M\u00e1rio. M\u00fasica, Doce M\u00fasica. S\u00e3o Paulo: L. G. Miranda Editor, 1934. BALBI, Adrien. Essai Statistique sur le Royaume de Portugal et d\u2019Algarve. Tome Second. Paris: Chez Rey y Gravier, Libraires, 1822.<br \/>\nCARVALHO, (Tinop) Pinto de. Hist\u00f3ria do Fado. Lisboa: Livraria Moderna, [1903] 1910.<br \/>\nCARVALHO, Ruben. Um S\u00e9culo de Fado. Alfragide: Ediclube, 1999.<br \/>\nGALLOP, Rodney. Cantares do Povo Portugu\u00eas. Lisboa: Instituto de Alta Cultura, 1937.<br \/>\nLOPES, Samuel. Encarte. In: Fado: Uma express\u00e3o portuguesa. livreto e CD\u2019s. Rio de Mouro: Printer Portuguesa\/ Queluz de Baixo: Seven Muses Music Books, 2014.<br \/>\n__________. Encarte. In: Fado Portugal: 200 anos de fado. livreto e CD\u2019s. Rio de Mouro: Printer Portuguesa\/ Queluz de Baixo: Seven Muses Music Books, 2016.<br \/>\nMATARAZZO, Thais. Fado no Brasil: Artistas &#038; Mem\u00f3rias. S\u00e3o Paulo: ABR Editora, 2013.<br \/>\nMONTEIRO, Jos\u00e9 Fernando S.. A Modinha Brasileira: Trajet\u00f3ria e Veleidades (s\u00e9cs. XVIII-XX). Curitiba: Editora Appris, 2019.<br \/>\nMOUR\u00c3O, Luis Ant\u00f4nio de Sousa Botelho. [Di\u00e1rio de Viagem] DORROTA q fez o Exmo Sr D, Luiz Antonio G. e Capp. Gen. da Cid. de S\u00e3o Paulo, hindo pa \u00e1 do rio de Jan., en a N\u00e1o de Guerra N. Sra da Estrella de q hera Comand. D. Manoel Machado, Irm\u00e3o do Sr de Entre homem e Cavado.\u201d 1765-1774. Arquivo de Mateus. BN \u2013 MSS, 21,4,14-16 \/ Di\u00e1rio de viagem de D. Lu\u00eds Ant\u00f3nio de Sousa Botelho Mour\u00e3o (Livros de), 1765\/03\/23 \u2013 1768\/12\/31, Funda\u00e7\u00e3o Casa de Mateus, SICM \/ SSC 06.02 \/ SUBSI GSP \/ SSC 01.01 \/ SR \/ DI\u00c1RIO DE VIAGEM \u2013 Lote 991.02.<br \/>\nMURPHY, James Cavanah. Travels in Portugal Through the Provinces of Entre Douro e Minho, Beira, Estremadura, and Alem-Tejo, in the years 1789 and 1790. London: Printed for A. Strahan, and T. Cadell Jun. and W. Davies in the Strand, 1795.<br \/>\nNERY, Rui Vieira. Para uma Hist\u00f3ria do Fado. Edi\u00e7\u00e3o revista e ampliada. Lisboa: P\u00fablico, Comunica\u00e7\u00e3o Social, SA\/ Corda Seca, Edi\u00e7\u00f5es de Arte, SA, [2004] 2012.<br \/>\nRUGENDAS, Johann Moritz. Malerische Reise in Brasilien. Paris: Engelmann &#038; C., 1835.<br \/>\nTINHOR\u00c3O, Jos\u00e9 Ramos. Fado: Dan\u00e7a do Brasil, Cantar de Lisboa: O fim de um mito. Lisboa: Editorial Caminho, 1994.<br \/>\n<\/h7><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>FONTE <\/strong>SITE OFICIAL MUSICA BRASILIS. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/musicabrasilis.org.br\/; Acesso em 25 de julho de 2020.<br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00f5es e Fotos por:<\/strong> M\u00fasica Brasilis<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/artigos-2\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/BOT\u00c3O-DE-VOLTAR-300x99.png\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"25\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-14788\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\">\n<h6><strong>Gostaria de juntar-se a Beautiful Brazil e ajudar a divulgar as belezas de nosso pais?<br \/>\nEntre em contato <a href=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/contato\/\">(CLICANDO AQUI!)<\/a><\/strong><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O FADO E O BRASIL &#8211; UMA (RE)DESCOBERTA DAS ORIGENS BRASILEIRAS DO FADO 08\/05\/2020 &#8211; Jos\u00e9 Fernando Monteiro O fado \u00e9, reconhecidamente, o representante da \u201calma<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21646,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1383,1093,1094,1384],"class_list":["post-21643","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","tag-artigos-musica-brasilis","tag-instituto-musica-brasilis","tag-musica","tag-o-fado-e-o-brasil-uma-redescoberta-das-origens-brasileiras-do-fado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21643"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21643\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21649,"href":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21643\/revisions\/21649"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}