{"id":11464,"date":"2020-04-03T11:59:45","date_gmt":"2020-04-03T14:59:45","guid":{"rendered":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/?p=11464"},"modified":"2020-07-12T20:21:55","modified_gmt":"2020-07-12T23:21:55","slug":"tubarao-baleia-gigante-gentil-ameacado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/tubarao-baleia-gigante-gentil-ameacado\/","title":{"rendered":"Tubar\u00e3o-baleia: gigante gentil amea\u00e7ado"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<h4><strong>TUBAR\u00c3O-BALEIA: GIGANTE GENTIL AMEA\u00c7ADO<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h6><strong>Autores:<\/strong> Lucas Garcia Martins, Raphaela A. Duarte Silveira, Thais R. Semprebom e Douglas F. Peir\u00f3<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tubar\u00f5es s\u00e3o animais que geram medo e fasc\u00ednio nos humanos; o medo talvez seja mais forte devido \u00e0 fat\u00eddica imagem que se tem: o <strong>grande predador dos mares<\/strong>, o famoso e consagrado tubar\u00e3o-branco (<em>Carcharodon carcharias<\/em>). Contudo, embora para muitos seja dif\u00edcil imaginar, os tubar\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o afetados pela pesca e pela polui\u00e7\u00e3o dos oceanos, e um dos que mais sofre \u00e9 o tubar\u00e3o-baleia (<em>Rhincodon typus<\/em>). Tamb\u00e9m chamado de <strong>gigante gentil<\/strong>, o tubar\u00e3o-baleia \u00e9 uma esp\u00e9cie que quebra completamente todos os estere\u00f3tipos com sua apar\u00eancia simp\u00e1tica. Por\u00e9m, <strong>essa docilidade \u00e9 recebida de forma hostil pelos humanos<\/strong>, que v\u00eam dificultando a vida desses gentis peixes gigantes. No entanto, antes de entender melhor essa problem\u00e1tica, vamos conhecer de maneira mais aprofundada este incr\u00edvel animal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h4><strong>ENTENDENDO O GIGANTE E SUA HIST\u00d3RIA DE VIDA<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h6><strong>A colora\u00e7\u00e3o do tubar\u00e3o-baleia \u00e9 \u00fanica<\/strong> entre todos os tubar\u00f5es, o que o torna uma esp\u00e9cie inconfund\u00edvel. Dorso e flanco s\u00e3o escuros, normalmente azuis, com pintas brancas entre listras p\u00e1lidas verticais. O ventre \u00e9 branco ou amarelado. O t\u00edtulo de gigante n\u00e3o \u00e9 a toa: esta criatura <strong>pode chegar a at\u00e9 20 metros de comprimento e 20 tonelada<\/strong>s, o que o coloca como <strong>maior peixe vivente do mundo<\/strong>. Contudo, em m\u00e9dia, estes tubar\u00f5es t\u00eam cerca de 10 a 14 metros de comprimento e pesam de 6 a 10 toneladas.<\/p>\n<p>S\u00e3o organismos <strong>migrat\u00f3rios que distribuem-se pelos mares tropicais e temperados quentes<\/strong>. No Brasil, podem ocorrer em todo o litoral, embora longe da zona costeira. <strong>Normalmente s\u00e3o animais solit\u00e1rios<\/strong>, contudo, quando existem grandes ofertas de alimento podem se concentrar em cardumes, que podem chegar a 100 indiv\u00edduos que se alimentam essencialmente por filtra\u00e7\u00e3o. O <em>R. typus<\/em> \u00e9 uma das tr\u00eas esp\u00e9cies de tubar\u00f5es filtradores do mundo mas, diferente das outras duas, o tubar\u00e3o-peregrino (<em>Cetorhinus maximus<\/em>) e o tubar\u00e3o-boca-grande (<em>Megachasma pelagios<\/em>), <strong>a filtra\u00e7\u00e3o do tubar\u00e3o-baleia funciona literalmente com ele dando goles na superf\u00edcie da \u00e1gua para filtrar o pl\u00e2ncton<\/strong>, n\u00e3o necessitando nadar de boca aberta para se alimentar, como os outros dois.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, vale acrescentar que, diferente dos outros tubar\u00f5es, que possuem grandes f\u00edgados em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho do corpo para auxiliar na flutuabilidade com a produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo, o tubar\u00e3o-baleia compensa essa diferen\u00e7a engolindo ar e o armazena dentro de seu est\u00f4mago, dando o conforto da flutuabilidade neutra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h4><strong>O QUE AMEA\u00c7A UM ANIMAL T\u00c3O D\u00d3CIL?<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h6>Pode parecer dif\u00edcil acreditar que este tit\u00e3 est\u00e1 mesmo sofrendo com a a\u00e7\u00e3o humana. No entanto, <strong>j\u00e1 foi listado como esp\u00e9cie vulner\u00e1vel \u00e0 extin\u00e7\u00e3o<\/strong> pela Lista Vermelha das Esp\u00e9cies em Extin\u00e7\u00e3o da IUNC (The International Union for Conservation of Nature\u2019s Red List of Threatened Species). Para compreender melhor o impacto gerado sobre a esp\u00e9cie, dividimos as categorias em t\u00f3picos. <strong>A\u00e7\u00f5es humanas indiretas<\/strong> &#8211; Para a megafauna marinha \u2013 animais de grandes propor\u00e7\u00f5es \u2013 sobretudo os filtradores, <strong>a polui\u00e7\u00e3o dos oceanos \u00e9 a maior causa<\/strong>. Mas a polui\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais complexa do que se imagina, por exemplo: despejo de agrot\u00f3xicos em oceanos por ind\u00fastrias; polui\u00e7\u00e3o de praias, o que gera grande quantidade de res\u00edduos s\u00f3lidos, sobretudo pl\u00e1stico; aumento de metais pesados e contaminantes tra\u00e7o\/poluentes nas \u00e1guas.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os maiores causadores de mortes n\u00e3o s\u00f3 do tubar\u00e3o-baleia, mas tamb\u00e9m de grandes baleias, tartarugas-marinhas, golfinhos, outros tubar\u00f5es e diversas esp\u00e9cies de peixes. Os ecossistemas tamb\u00e9m s\u00e3o afetados, tendo seu equil\u00edbrio intensamente perturbado. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante acrescentar que os restos de artigos de pesca, como redes, linhas, espinh\u00e9is e afins, que s\u00e3o descartados indevidamente nos oceanos acabam gerando acidentes com animais que v\u00e3o, na maioria das vezes, a \u00f3bito.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es humanas diretas<\/strong> &#8211; O tubar\u00e3o-baleia, embora seja, na maioria do pa\u00edses, &#8220;s\u00f3 mais um animal imenso&#8221;, em outros, principalmente no continente Asi\u00e1tico, tem sua carne muito apreciada. <a class=\"_2qJYG blog-link-hashtag-color _3Sq3W\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Segundo estudos de Martins e Chagas<\/a> (2018) em Taiwan, <strong>cerca de 100 tubar\u00f5es-baleia s\u00e3o capturados anualmente<\/strong> e h\u00e1 uma demanda crescente por sua carne, sobretudo por suas barbatanas, que t\u00eam alt\u00edssimo valor comercial no mercado, especialmente em Hong Kong.<\/p>\n<p>Outra amea\u00e7a a estas criaturas \u00e9 o <strong>atropelamento por embarca\u00e7\u00f5es<\/strong> quando os animais est\u00e3o se alimentando na superf\u00edcie, o que geralmente acaba em fatalidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h4><strong>O QUE FAZER PARA AJUDAR?<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h6>De maneira geral, a atua\u00e7\u00e3o das pessoas n\u00e3o ir\u00e1 bastar, mas <strong>um acordo entre pa\u00edses para proibir a ca\u00e7a dessa esp\u00e9cie<\/strong> j\u00e1 \u00e9 um bom come\u00e7o, <strong>aliado ao subs\u00eddio \u00e0 pesquisa<\/strong>. O tubar\u00e3o-baleia \u00e9 um animal ainda pouco estudado pela comunidade acad\u00eamica devido, sobretudo, \u00e0 dificuldade log\u00edstica para entender sua hist\u00f3ria de vida e h\u00e1bitats. A partir deste conhecimento gerado, poder\u00e3o se implementar medidas mais eficazes promovendo a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p><strong>A popula\u00e7\u00e3o<\/strong>, de maneira geral, <strong>deve evitar jogar lixo na rua, no ch\u00e3o, na praia e nos rios<\/strong>. Campanhas que promovam a limpeza de praias podem trazer resultados grandiosos para toda biota aqu\u00e1tica dos ambientes que est\u00e3o sendo cuidados. O tubar\u00e3o-baleia \u00e9 uma esp\u00e9cie que comp\u00f5e a biodiversidade do planeta e \u00e9 de suma import\u00e2ncia dentro das comunidades e dos ecossistemas aos quais pertencem. Ela deve se manter no mar, coexistindo pacificamente com outros seres vivos, logo, <strong>\u00e9 dever de todos proteger n\u00e3o apenas o tubar\u00e3o-baleia, mas todo o ecossistema marinho<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h4><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h6>\n<p class=\"XzvDs _208Ie tFDi5 blog-post-text-font blog-post-text-color _2QAo- _25MYV _6RI6N tFDi5\">Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade. 2018. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Amea\u00e7ada de Extin\u00e7\u00e3o: Volume VI &#8211; Peixes. In: Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (Org.). Livro Vermelho da Fauna Brasileira Amea\u00e7ada de Extin\u00e7\u00e3o. Bras\u00edlia: ICMBio. 1232p.<\/p>\n<p class=\"XzvDs _208Ie tFDi5 blog-post-text-font blog-post-text-color _2QAo- _25MYV _6RI6N tFDi5\">CLARK, E.; NELSON, D.R. Young whale sharks, Rhincodon typus, feeding on a copepod bloom near La Paz, Mexico. <strong>Environmental Biology of Fishes<\/strong>, v. 50, n. 1, p. 63-73, 1997.<\/p>\n<p class=\"XzvDs _208Ie tFDi5 blog-post-text-font blog-post-text-color _2QAo- _25MYV _6RI6N tFDi5\">MARTINS, L.G, CHAGAS, R.A. (2018). <strong>Impactos da pesca predat\u00f3ria do tubar\u00e3o baleia Rhincodon typus Smith, 1828 (Chondrichthyes: Rhincodontidae)<\/strong>. In (eds.) VII Simp\u00f3sio de Pesquisas e Ci\u00eancias Ambientais na Amaz\u00f4nia. Bel\u00e9m- PA.<\/p>\n<p class=\"XzvDs _208Ie tFDi5 blog-post-text-font blog-post-text-color _2QAo- _25MYV _6RI6N tFDi5\">MEEKAN, M. G., BRADSHAW, C. J., PRESS, M., MCLEAN, C., RICHARDS, A., QUASNICHKA, S., &amp; TAYLOR, J. G.. Population size and structure of whale sharks Rhincodon typus at Ningaloo Reef, Western Australia. <strong>Marine Ecology Progress Series<\/strong>, v. 319, p. 275-285, 2006.<\/p>\n<p class=\"XzvDs _208Ie tFDi5 blog-post-text-font blog-post-text-color _2QAo- _25MYV _6RI6N tFDi5\">STEVENS, J. D. Whale shark (Rhincodon typus) biology and ecology: a review of the primary literature. <strong>Fisheries Research<\/strong>, v. 84, n. 1, p. 4-9, 2007.<\/p>\n<p class=\"XzvDs _208Ie tFDi5 blog-post-text-font blog-post-text-color _2QAo- _25MYV _6RI6N tFDi5\">SZPILMAN, M.<strong> Tubar\u00f5es no Brasil: guia pr\u00e1tico de identifica\u00e7\u00e3o<\/strong>. Mauad Editora Ltda, 2004.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>\n<div style=\"text-align: center;\"><strong>FONTE <\/strong>SITE OFICIAL BI\u00d3ICOS. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/www.bioicos.com.br\/&gt; Acesso dia 30 de mar\u00e7o de 2020.<br \/>\n<strong>Informa\u00e7\u00f5es, Not\u00edcias e Fotos por:<\/strong> Instituto de Biologia Marinha Bi\u00f3icos<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/artigos\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/BOT\u00c3O-DE-VOLTAR-300x99.png\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"25\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-14788\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\">\n<h6><strong>Gostaria de juntar-se a Beautiful Brazil e ajudar a divulgar as belezas de nosso pais?<br \/>\nEntre em contato <a href=\"https:\/\/beautifulbrazil.com.br\/portfolio\/contato\/\">(CLICANDO AQUI!)<\/a><\/strong><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TUBAR\u00c3O-BALEIA: GIGANTE GENTIL AMEA\u00c7ADO Autores: Lucas Garcia Martins, Raphaela A. 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