

Em suas obras, valoriza os traços que preservam e harmonizam os aspectos da obra com os elementos de inspiração e sua realidade. Busca captar sensações provenientes das relações cotidianas, revelando as vivências do que lhes é natural, belo e poético. Persiste na releitura desse cotidiano, por acreditar ser ele “o óbvio que preserva tons de descobertas”. Elas contam histórias e vivências, combinando sensações que fluem do real ao imaginário.
Ele faz surgir do barro delicadas figuras humanas carregadas de simplicidade nos gestos e atitudes e com um realismo marcante. As roupas, os trapos são tão reais que parecem feitas de tecido, mas é puro barro. São homens, mulheres e crianças em cenas do cotidiano, muitas delas banais, mas que nas mãos de João se transformam em impressionantes obras de arte: são brincadeiras de criança, conversas no terreiro de casa, rodas de cantoria, atividades domésticas ou gestos corriqueiros, como um simples cumprimento ou a colocação de um par de brincos. São cenas que falam por si só por meio do estilo, expressão e simplicidade com que são apresentados.
“Feitos a torrão, lhes apresento o meu jeito de ver no cotidiano os sorrisos, os apertos de mão, os suspiros, o calor humano, um gole d´agua ou mesmo uma cantada… Simples assim. Não intento modelar a perfeição e sim o Momento, aonde o alimento de inspiração é o próprio chão e o homem por demais nordestino.
A intenção é provocador curiosidade e reflexão sobre o comum no cotidiano, ou mesmo, um convite à distanciar-se das complexidades para que se revele a força do simples. Vou falando do que já está dito e revelando o que esteve sempre adiante… De forma a encaminhar os sentidos ao aconchego poético sob o entrelace do barro e da forma. Por meio destas, vou contando histórias desse reboliço de gente proseando entre minhas interpretações. Assim, vou modelando a vida, de forma que o próprio chão escreva e conduza os olhares para o homem e para os significados que o eleva.”
Em 1992, antes de realizar o trabalho que realiza hoje com o barro, João Borges pintou alguns quadros. Segundo o artista, era algo muito diferente do seu trabalho atual, nessa época ele não tinha nenhuma intimidade com o barro, mas seu trabalho com as tintas já anunciavam os temas de suas esculturas. As obras de João Borges são como páginas de uma história que revelam o modo de vida e os costumes do povo sertanejo. Nesta história contada pelo artista permeia uma combinação de sentimentos que vai do real ao imaginário, certamente como fruto de sua vivencia e de sua compreensão dos costumes do sertão nordestino.