Um dos compositores de maior importância para a cultura brasileira, deixou obra essencialmente instrumental, particularmente dedicada ao piano. Compôs sua primeira obra aos 14 anos, a polca-lundu Você bem sabe. Morreu aos 70 anos, tendo escrito no total 211 peças, todas disponíveis neste site.
Nascimento: Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 20/03/1863 Falecimento: Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 01/02/1934 VIAF: 24788057 Enciclopédia Itaú Cultural: ernesto-nazareth
1874
Ernesto perde a mãe, também sua primeira professora de piano, o que muito o abate. Apesar de opor-se à vocação musical do filho, o pai busca um outro mestre, que encontra em Eduardo Madeira.
1878
Aos 15 anos inicia a composição da valsa brilhante O nome dela, terminada em 1886. É a valsa mais extensa de Nazareth, com aproximadamente 6 minutos e meio de duração. Publicada postumamente, em 2008, continuaria inédita até 2012.
1879
É editada a polca Cruz Perigo!!, sua terceira peça. A melodia da mão direita já insinua a síncope, onipresente na obra de Nazareth. É publicada ainda a polca Gracietta, dedicada ao padrinho. Anúncio no Jornal do Commercio atesta o sucesso das polcas de Nazareth.
1880
Aos 17 anos, publica a polca Gentes! O Imposto Pegou?. O título da peça se refere a um imposto que causou a famosa Revolta do Vintém. A Imperial Imprensa de Música de Viúva Filipponea publica a polca Não Caio n’Outra!!! , a 5ª música publicada de Nazareth e seu primeiro grande sucesso. Realiza sua primeira apresentação pública, em um recital no salão Mozart.
1886
Casa-se com Theodora Amália, 11 anos mais velha, com quem teve 4 filhos. Participa de diversos recitais, executando peças de autores como Rossini, Denza, Popp e Astroc.
1887
Em edição custeada por Antonio Coelho da Motta, a quadrilha A flor de meus sonhos é impressa pela oficina litográfica Pereira Braga & Cia. Nasce Eulina de Nazareth, a primeira dos quatro filhos de Ernesto e Theodora Amália.
1888
Nasce o segundo fiho de Nazareth e Theodora Amália: Diniz Nazareth. Tem três polcas publicadas por Pereira & Araújo: A Bela Melusina, Nazareth, parte da coletânea “Primavera – coleção de quadrilhas, polcas, valsas, etc. para piano” e A Fonte do Lambary, com dedicatória à Empresa das Águas do Lambary.
1889
Compõe a quadrilha Chile-Brasil e dedica “à oficialidade da Esquadra Chilena”, que aportou no Rio de Janeiro em novembro do mesmo ano. Publica a polca Atrevidinha pela Casa Ao Lambary (Pereira & Araújo) e a polca-lundu Eulina, dedicada a sua primeira filha Eulina de Nazareth (1887-1971).
1892
A polca-tango Rayon d’or, primeira peça de Nazareth a conter a palavra tango em seu subtítulo – gênero que o autor viria a desenvolver de maneira excepcional, com cerca de 90 peças – foi dedicada ao pianista Alberto Motta.
1893
Brejeiro, o primeiro tango brasileiro do autor, foi dedicado a seu sobrinho Gilberto Nazareth. Foi o maior sucesso de Nazareth durante sua vida e um dos maiores sucessos da música brasileira do século XIX. Na mesma época compôs Cuiubinha, polca-lundu dedicada à neta de seu amigo Manoel L. de Araújo e também.
Julieta, valsa dedicada a seu amigo Luiz Jacintho Ferreira Campos.
1894
Escreveu Marietta, polca dedicada à sua filha Maria de Lourdes. Nesse ano, começa a trabalhar como pianista demonstrador da Casa Vieira Machado & Cia. Nos anos seguintes trabalha em outros estabelecimentos, onde não só demonstra como também escreve e revisa partituras.
1898
Apresenta-se pela primeira vez em público, por iniciativa do Clube de São Cristóvão. No repertório, Adieu, escrito nesse ano, obra considerada “peça de estilo”, mais próxima do universo clássico. Escreve ainda os tangos Está chumbado, referência a alguém que bebeu demais, e Furinga, dedicado a um grupo de amadores do Poker. Neste mesmo ano dedicou às moças brasileiras o schottisch Gentil.
1900
Compôs Arrufos, schottisch sem dedicatória. Dedicou o tango Digo à Constança Teixeira e a valsa Dora a sua esposa Theodora. Dedicou a valsa Elite-club ao amigo. Dr. Jovino Barral e a valsa.
Genial ao poeta Arthur Azevedo. Foram publicadas as quadrilhas Julieta e Onze de maio neste mesmo ano.
1901
Inicia a composição de Batuque, tango característico, concluido por volta de 1908, cujo título remete às danças de origem africana. Deste ano também é sua obra Encantada.
1903
Compôs a valsa Coração que sente. Neste mesmo ano compôs dois tangos: Pyrilampo eThierry. É convidado por Alberto Nepomuceno a diplomar-se pelo Instituto Nacional de Música, mas não aceita por considerar-se muito velho.
1905
Pela Casa Edison, sai em disco o tango Brejeiro com letra de Catullo da Paixão Cearense e cantado por Mário Pinheiro.
1907
Aos 44 anos, Nazareth consegue emprego de 3º escriturário no Tesouro Nacional, única atividade em sua vida sem qualquer relação com a música, mas prefere se afastar antes de ser efetivado. Usando o pseudônimo Renaud, compôs o único maxixe de sua obra: Dengoso.
1908
Trabalha como pianista demonstrador da Casa Mozart, de propriedade do amigo português Lino José Barbosa, situada à Avenida Central, nº 127. É convidado pelo maestro Alberto Nepomuceno a apresentar-se, interpretando músicas de sua autoria, na “Exposição Nacional”, realizada na Praia Vermelha em comemoração ao centenário da “Abertura dos Portos”.
1909
Em 6 de junho Nazareth apresentou-se em um recital realizado no Instituto Nacional de Música, no qual interpretou a gavota Corbeille de fleurs e o “tango característico” Batuque, ambos de sua autoria e ainda acompanhou Heitor Villa-Lobos na peça Le cygne, de Saint-Saëns, para violoncelo e piano. Iniciou suas atividades como pianista da sala de espera do antigo Cinema Odeon.
1910
Lançamento da partitura de Odeon, tango brasileiro de Ernesto Nazareth, que será gravado em disco pelo próprio compositor (1912) e, posteriormente, se tornará um clássico do cancioneiro brasileiro. O tango é dedicado à empresa Zambelli & Cia proprietária do Cinema Odeon. Participa de recital no Theatro Municipal de Niterói e tem obras gravadas por diversas bandas.
1913
A polca Ameno Resedá, dedicada ao rancho carnavalesco de mesmo nome, é publicada pela Casa Arthur Napoleão (Sampaio, Araújo & Cia.).
1914
A Casa Beethoven lança um catálogo em que dezenove outras composições de Nazareth aparecem gravadas em rolos de pianola confeccionados nos Estados Unidos. É publicada a primeira edição da polca Apanheite-te cavaquinho, alcançando um grande sucesso.
1919
Escreveu Insuperável, tango brasileiro que foi dedicado a seu amigo Orlando Pires de Moraes. Compôs Suculento, denominado na partitura Succolento com o subtítulo samba brasileiro dedicado aos carnavalescos deste ano e o tango Sustenta a… nota… O compositor e pianista Eduardo Souto convida Nazareth para ser pianista demonstrador da Casa Carlos Gomes.
1920
Villa-Lobos dedica a Nazareth o Choro nº 1, para violão.
1923
Aos 60 anos, publicou o estudo de concerto Improviso, dedicado ao amigo Villa-Lobos. Um de seus tangos é incluído no Festival Glauco Velásquez, ao lado de obras de compositores como Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno e Francisco Braga. Neste ano compôs o tango Escorregando, o Hino da escola Esther Pedreira de Mello, o Hino da Escola Floriano Peixoto e o tango Tudo sobe!…
1926
Nazareth embarca na Estação D. Pedro II com destino a São Paulo, para uma turnê patrocinada por um grupo de admiradores paulistas. Apresenta-se no Theatro Municipal e Conservatório Dramático e Musical, interpretando suas composições. Seu recital no Municipal é precedido de uma palestra de Mário de Andrade. Apresenta-se também em Campinas, Sorocaba e Tatuí.
1927
Após permanecer onze meses em São Paulo, embarca rumo à Capital Federal. Traz consigo os manuscritos dos tangos Cruzeiro, Cubanos e Paraíso (estilo milonga) e da valsa Faceira. Além da bagagem traz também um piano Sanzin que lhe foi presenteado pelo público paulista. Neste mesmo ano, escreveu Dor Secreta, Encantador e Marcha Fúnebre.
1928
Duas de suas peças são gravadas por Francisco Alves e Vicente Celestino, os dois cantores de maior destaque da época no Brasil. Escreveu Cavaquinho, por que choras? dedicado a sua prima Aracy Nazareth Montel e Ipanema, marcha brasileira, dedicada às bandas militares.
1930
Em setembro aceita convite feito por Eduardo Souto, diretor artístico da Odeon-Parlophon, e grava Apanhei-te cavaquinho, Escovado, Nenê e Turuna, tendo sido comercializado somente o disco que continha as duas primeiras músicas. Escreveu a valsa lenta Resignação, que seria sua última composição.
FONTE SITE OFICIAL MUSICA BRASILIS. Disponível em <https://musicabrasilis.org.br/; Acesso em 25 de julho de 2020. Informações e Fotos por: Música Brasilis
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