

A identificação individual é uma técnica importante para estudos de comportamento, ecologia e biologia populacional. Os pesquisadores que trabalham com cetáceos podem escolher entre uma ampla variedade de ferramentas, dependendo das questões abordadas, considerações logísticas, segurança animal e humana, habitat e características das espécies. Para identificar com precisão os indivíduos, a técnica de fotoidentificação é uma ferramenta vital e não invasiva que utiliza as marcas naturais nos cetáceos. Estas marcas estão presentes nas nadadeiras dorsal e caudal, cabeça e lateral do corpo, dependendo da espécie em questão.
Os estudos de identificação com fotografias requerem muitas horas de pesquisas intensivas em campo e horas ainda mais longas do processamento subsequente e trabalhoso do material fotográfico. Graças aos recentes avanços na fotografia digital, imagens digitais de alta qualidade podem ser obtidas em um curto espaço de tempo e os dados de identificação com foto podem ser processados com a ajuda de softwares que auxiliam o processamento, armazenamento e gerenciamento de imagens digitais. Após o simpósio na Universidade de Indiana, cientistas passaram a reunir as histórias sobre as sociedades dos cetáceos, literalmente, por meio de fotografia por fotografia. Atualmente existem catálogos fotográficos e documentos para centenas de populações de baleias e golfinhos em todo o mundo.
No Brasil, é encontrada em áreas costeiras e oceânicas. Existem registros para a espécie desde o Rio Grande do Sul até o Pará. É principalmente avistada na região Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo) em áreas próximas à costa, em especial na primavera, verão e outono, pois não é uma espécie migratória como as outras baleias.
Seu estado de conservação está classificado na categoria “Menor Preocupação” de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, versão 2019.2).
O compartilhamento de fotografias de baleias-de-bryde fotoidentificadas é fundamental para o conhecimento e divulgação das avistagens e reavistagens de um mesmo indivíduo em datas e locais diferentes. Apesar da técnica parecer ser simples, os cetáceos passam a maior parte do tempo submersos e aparecem na superfície apenas por alguns instantes. É neste breve momento, quando das baleias-de-bryde veem à tona para respirar, que a nadadeira dorsal se torna visível acima da superfície da água e então é possível fotografá-la. Somado a estas dificuldades é preciso levar em consideração o comportamento arisco e evasivo das baleias-de-bryde.
Participe você também! Ao avistar uma baleia-de-bryde, fotografe principalmente sua nadadeira dorsal e envie para o website.
Maiores informações e dicas de fotografias podem ser obtidas no website.
FIGUEIREDO, L.D.; TARDIN, R.H.; LODI, L.; MACIEL, I.S.; ALVES, M.A.S.; SIMÃO, S.M. Site fidelity of bryde’s whales (Balaenoptera edeni) in Cabo Frio region, southeastern Brazil, through photoidentification technique. Brazilian Journal of Aquatic Science and Technology, v. 18, n. 2, p.59-64, 2014. IUCN. Disponível em <https://www.iucnredlist.org/species/2476/50349178>. Accesso em: 05 set.2019.
LODI, L.; BOROBIA B. Baleias, botos e golfinhos do Brasil: Guia de identificação. Rio de Janeiro: Editora Technical Books, 2013.
LODI, L; MARICATO, G. Brydes do Brasil: Rede Nacional de Baleias-de-Bryde Foto-Identificadas. Resumos. XII Congreso de la Sociedad Latinoamericana de Especialistas em Mamíferos Acuáticos – RT 18. 05-08 novembro, 2018. Lima, Peru. Sociedade Latinoamericana de Especialistas em Mamíferos Acuáticos, Centro para a Sustentabilidad Ambiental, Universidad Peruana Cayetano Heredia (Organização). p. 192.
LODI, L.; TARDIN, R.H.; HETZEL, B.; MACIEL, I.S.; FIGUEIREDO, L.D; SIMÃO, S.M. Bryde´s whale (Cetartiodactyla: Balaenopteridae) occurrence and movements in coastal areas of southeastern Brazil. Zoologia, v. 32, n. 2, p.171-175, 2015. http://dx.doi.org/10.1590/S1984-46702015000200009 PASTENE, L.A.; ACEVEDO, J.; SICILIANO, S.; SHOLL, T.C.G.; MOURA, J.F.; OTT, P.H.; AGUAYO-LOBO, A. Population genetic structure of the South American Bryde’s whale. Revista de Biología Marina y Oceanografía, v. 50, n.3, p.453-464, 2015.