

Thompson liderou o grupo de cientistas que descobriu o recife de corais na foz do rio Amazonas. O lançamento do submarino envolveu grande parte da tripulação do navio. Esperanza, um dos três navios do Greenpeace, está na região da foz do rio Amazonas, no Amapá, para a campanha “Defenda os Corais da Amazônia. O objetivo é observar debaixo d’água, pela primeira vez, os recifes de corais. (Foto por: Instituto de Biologia Marinha Bióicos)
Contudo, pesquisadores encontraram pistas no local – um grande depósito de carbonato de cálcio, peixes recifais e poríferos – que refutam a hipótese e sugerem a existência de corais nesta região, contrariando expectativas de pesquisadores do mundo todo e enchendo a comunidade científica de dúvidas. Afinal, existe ou não um recife e onde ele está exatamente? Vamos lhes contar agora!
Conjunto de 4 fotografias que representam os principais organismos que vivem em recifes, reforçando a existência do Recife Amazônico. A esquerda no canto superior, uma fotografia de uma mão segurando uma esponja do mar com corpo formado por vários ramos grossos e boleados e no fundo a água agitada e com espuma da passagem da embarcação. Abaixo dela ainda no canto esquerdo, uma mão segurando um rodólito, que consiste numa massa disforme de carbonato de cálcio que é um tipo de rocha orgânica, ao fundo vê-se a proa do barco e o oceano. No canto superior direito uma mão segurando um fragmento de coral duro que é semelhante a uma rocha fina. No canto inferior direito um peixe borboleta sobre o piso de madeira da embarcação.

Mapa mostrando distribuição dos corais da Amazônia baseado em estudo feito na região.
Fonte: Philip Terry Graham/Wikimedia Commons (CC0)
A ilustração mostra um mapa dividido em duas áreas, no canto superior direito mostra-se o país Brasil com quadrado marcando a área norte onde se encontram os corais da amazônia. No lado esquerdo da imagem, vê-se ampliada a região destacada com marcação da distribuição dos corais da amazônia desde a Guiana Francesa até o Maranhão. Mapa mostrando distribuição dos corais da Amazônia baseado em estudo feito na região.
A região de distribuição desse recife de corais está a cerca de 100 km do litoral, com cerca de 900 km de extensão, da Guiana Francesa até o Maranhão, e com um complexo ecossistema constituído de espongiários das Classes Hexactinellida (espículas de sílica), Calcarea (espículas de calcário) e Demospongiae (espículas de silício e esponjinha), além de grande riqueza de rodólitos e algas calcárias, que são principais bioconstrutores de ambientes recifais devido à adição de carbonato de cálcio ao leito marinho, o que permite a fixação das larvas de corais, esponjas, moluscos e demais organismos bioconstrutores.
Contudo, os corais da Amazônia fogem a esta definição, o que o consagrou como o Recife Improvável. Ele possui o grande depósito de CaCO3 advindo das esponjas, rodólitos, algas calcárias e corais, no entanto, eles estão localizados próximo à região de desembocadura do Rio Amazonas. Devido ao encontro de água doce e salgada, existe variação da salinidade e pH da água o que, normalmente, os outros corais não toleram.
Devido à ausência de zooxantelas nos corais da Amazônia, sua distribuição vertical é diferenciada. Enquanto nos outros recifes normalmente estão distribuídos numa faixa de até 40 metros de profundidade, os corais da Amazônia são encontrados de 35 até 130 metros de profundidade. Além disso, a luminosidade é baixa devido à descarga de sedimentos, o que comprometeria a fotossíntese. Entretanto, o que se observa é que muitos corais não possuem as zooxantelas (com capacidade fotossintética), mas sim outras microalgas associadas, que são quimiossintetizantes. Essas algas encontraram grande sucesso na região devido ao aporte de nutrientes, carcaças e sedimentos em decomposição, que disponibilizam elementos inorgânicos para a conversão em orgânicos, garantindo a produtividade primária e, principalmente, permitiram a formação desse recife improvável e com características únicas.
É importante destacar também que, de maneira geral, os corais não dependem exclusivamente das microalgas, eles se alimentam também de todo material em suspensão e plâncton que passa pelos seus pólipos. Sabe o que mais é incrível nos Corais da Amazônia? A distribuição deles é dada na área de passagem de uma corrente marítima, a ramificação da Corrente Norte do Brasil, e esta corrente é quem traz tanto alimento para os corais se manterem.
Fotografia de corais com pólipos abertos. Os pólipos têm formato de disco com dezenas de tentáculos sustentados por um pedúnculo que os fixa ao leito do mar. Ao fundo da imagem vê-se mais pólipos, alguns fechados e outros abertos. Agora sabemos que se trata de um recife e, mais do que isso, um ecossistema único que é de suma importância para a manutenção da vida marinha e sustento da produção pesqueira da região. Contudo, ainda existem desafios a serem vencidos, como a carência de estudos desse ambiente frente à ameaça da extração de petróleo, que comprometeria em larga escala os animais e os estoques pesqueiros da região.
Em síntese, essas ameaças potenciais podem, com o tempo, gerar severos prejuízos à natureza e, consequentemente, aos seres humanos, principalmente às populações tradicionais que dependem da subsistência costeira. Por isso, é necessário que mais pessoas saibam dessa riqueza e importância para o ambiente marinho. Seja alguém que luta conosco pelos ambientes marinhos!
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