

São conhecidas cerca de 270 espécies de peixes de água doce na Mata Atlântica, mas esse número pode ser ainda maior, pois muitas espécies ainda não foram descobertas ou descritas pela ciência. Embora a fauna de peixes da Mata Atlântica seja mais conhecida que a dos demais biomas, por ser nesta região que vivem a maior parte dos brasileiros, há muitos locais que ainda não foram suficientemente estudados pelos pesquisadores, e que podem abrigar ainda mais espécies.
Para que você possa conhecer um pouco mais sobre essa diversidade, listamos 4 espécies de peixes de água doce da Mata Atlântica que estão ameaçadas de extinção.
Nome popular: Essa espécie ainda não possui um nome popular!
Nome científico: Glandulocauda caerulea
Categoria de ameaça: Em Perigo de Extinção (EN)
Algumas espécies de peixes de riacho da Mata Atlântica são pouco conhecidas pela maioria das pessoas. A espécie Glandulocauda caerulea nem mesmo tem um nome popular, sendo geralmente confundida com várias espécies de lambaris ou piabas. Essa espécie ocorre na bacia do Rio Iguaçu, o maior rio do estado do Paraná, e é considerada como Em Perigo de Extinção.
Nome popular: Lambari
Nome científico: Rachoviscus graciliceps
Categoria de ameaça: Em Perigo de Extinção (EN)
Conhecida simplesmente como lambari, a espécie Rachoviscus graciliceps ocorre em rios costeiros na região sul do estado da Bahia. A espécie é considerada como Em Perigo de Extinção.
Nome popular: Limpa-fundo
Nome científico: Scleromystax macropterus
Categoria de ameaça: Em Perigo de Extinção (EN)
A espécie Scleromystax macropterus, conhecida por muitos como limpa-fundo, ocorre em rios costeiros no litoral dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. É considerada como Em Perigo de Extinção.
Nome popular: Lambari-azul-listrado
Nome científico: Mimagoniates lateralis
Categoria de ameaça: Vulnerável à Extinção (VU)
Conhecido popularmente como lambari-azul-listrado, a espécie Mimagoniates lateralis ocorre em rios costeiros no litoral dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. É considerada Vulnerável à Extinção.
As categorias de extinção indicadas acima são escolhidas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), de acordo com o Plano de Ação Nacional para a Conservação de Peixes e Eglas da Mata Atlântica.
Você conhece alguns desses peixes? Algum deles ocorrem na região onde você vive?
Essas condições favoreceram o surgimento de várias espécies isoladas em regiões específicas, e contribuiu para isso também o fato de a maioria das espécies de peixes de riacho da Mata Atlântica serem de pequeno porte (menos de 20 cm de comprimento), o que dificulta que se espalhem muito pelos corpos d’água.
Essas características da Mata Atlântica representam desafios para a conservação ambiental, porque para garantir que as espécies de peixes de riacho sejam protegidas, é preciso que os esforços de conservação sejam espalhados pelas diferentes regiões do bioma. Infelizmente, porém, o fato de ser na Mata Atlântica que vive a maior parte da população brasileira também faz desse bioma um dos mais ameaçados. As principais ameaças para os peixes-de-água-doce da Mata Atlântica são:
Desmatamento, principalmente próximo às nascentes, e a retirada das matas ciliares (matas que estão presentes nas margens dos rios e riachos).
Intervenções sem planejamento nos corpos d’água para irrigação, indústria, abastecimento urbano ou construção de usinas hidrelétricas.
Poluição das águas, incluindo esgoto urbano não tratado e rejeitos da indústria e da mineração.
Introdução de espécies exóticas (peixes que não são nativos da Mata Atlântica), como a tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) ou o bagre-africano (Clarias gariepinus). Essas espécies introduzidas pelo homem competem com os peixes da Mata Atlântica por alimento e abrigo.
AGRADECIMENTOS: Agradecemos ao Prof. Dr. Ricardo M. C. Castro (FFCLRP-Universidade de São Paulo), coordenador do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Peixes e Eglas da Mata Atlântica, pelas fotos.